Adaptação cinematográfica da era de ouro de berserk: O tratamento dado a corkus e as omissões cruciais
A trilogia de filmes da Era de Ouro de Berserk agrada pela animação, mas a supressão de subtramas e o tratamento de personagens como Corkus geram debate.
A trilogia cinematográfica adaptando a popular Era de Ouro do mangá Berserk é frequentemente elogiada por sua animação fluida e uso eficiente de CGI, apresentando a jornada de batalha de Guts em um formato mais acessível. No entanto, a reformulação do material original para o formato de longa-metragem inevitavelmente resultou em cortes significativos, impactando a profundidade de certos arcos e relações.
Um dos pontos sensíveis levantados por aqueles familiarizados com a obra original de Kentaro Miura é a maneira como o personagem Corkus foi retratado e desenvolvido. No mangá, Corkus é apresentado como o irmão mais novo de Guts, um indivíduo muitas vezes desagradável e irritante. Apesar de suas falhas e da dinâmica complexa, existia uma forma de afeto fraternal entre os dois, um relacionamento que se assemelhava ao arquétipo tsundere, onde a antipatia aparente escondia um vínculo genuíno.
O custo da condensação narrativa
A transição da narrativa densa do quadrinho para as três películas exigiu a remoção de várias sequências importantes. Observadores notam que a exclusão de grandes batalhas do mangá diminuiu a escala da experiência de Guts dentro do Bando do Falcão. Além disso, subtramas cruciais que ajudavam a solidificar a ambientação e as motivações foram sacrificadas.
Entre as omissões mais notáveis, o enredo envolvendo a Rainha, além dos personagens Godot e Erika, foi completamente retirado da versão cinematográfica. Tais remoções, embora compreensíveis sob a ótica de restrição de tempo de tela, alteram a percepção do espectador sobre o universo e as relações interpessoais que moldaram Guts antes dos eventos climáticos da Era de Ouro.
A qualidade técnica versus a fidelidade dramática
Apesar das críticas sobre os cortes, a adaptação é amplamente reconhecida pela sua excelência técnica. A qualidade da animação e o tratamento dado aos momentos de ação são pontos fortes que cativaram muitos espectadores, inclusive aqueles que se aventuraram nas películas sem conhecimento prévio do material fonte. A produção conseguiu entregar visualmente as batalhas épicas que definem essa fase da história.
É uma situação comum em adaptações de obras longas para o cinema: o equilíbrio entre manter a fidelidade ao texto original e criar um produto coeso e vendável para as telas grandes. No caso dos filmes da Era de Ouro, a preferência pela fluidez visual parece ter priorizado a ação em detrimento de certos desenvolvimentos de personagens secundários, como no caso de Corkus, cuja complexidade foi simplificada.
Embora a conclusão cinematográfica seja considerada por muitos como uma adaptação sólida por mérito próprio, a percepção de que partes essenciais da jornada foram deixadas de lado permanece um ponto central de análise sobre este projeto.