A ambiguidade de gênero e a representação de orochimaru em naruto: Uma análise da rejeição discursiva

O status de gênero fluido de Orochimaru em Naruto levanta questões sobre a forma como ele é tratado narrativamente, expondo formas de exclusão.

Analista de Anime Japonês
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12/01/2026 às 19:32

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A ambiguidade de gênero e a representação de orochimaru em naruto: Uma análise da rejeição discursiva

A complexa narrativa de Naruto, rica em conflitos de identidade e poder, apresenta personagens cujas existências desafiam categorizações simples. Um dos pontos mais curiosos e que geram debate se concentra na figura de Orochimaru, um dos Sannin lendários e antagonista central em várias fases da trama. Uma análise atenta da forma como diferentes personagens se referem a este ninja revela um padrão de despersonalização que pode ser interpretado como uma forma sutil, porém constante, de discriminação discursiva.

A Flutuação da Identidade de Gênero

O centro da questão reside na natureza andrógina e na fluidez de gênero atribuída a Orochimaru, uma característica explorada desde a série original. Sua aparência e voz, frequentemente descritas como femininas ou neutras, causam confusão constante entre outros personagens. O protagonista Naruto Uzumaki, em seus momentos iniciais de interação com ele, claramente expressa essa dificuldade de classificação, referindo-se a Orochimaru ora como homem, ora como mulher, ou até mesmo como uma entidade indefinida, quase demoníaca.

Essa incerteza linguística não é apenas um detalhe superficial, mas um reflexo de como a sociedade ninja, focada em clãs e papéis definidos, lida com o que não se encaixa. A incapacidade de aplicar um pronome de gênero definido funciona como um mecanismo narrativo para sublinhar seu caráter alienígena e perigoso, separando-o das normas sociais estabelecidas no universo de Masashi Kishimoto.

A Exclusão na Voz dos Aliados e Inimigos

O tratamento dispensado a Orochimaru por outros ninjas da elite reforça essa percepção de exclusão, mesmo quando proferida por aqueles que estiveram próximos a ele. Um exemplo notório ocorre quando Itachi Uchiha, outro ninja com laços complexos com o Sannin, opta por utilizar pronomes neutros ao se referir a ele, uma escolha que objetifica o indivíduo, reduzindo-o a um mero objeto ou conceito, ignorando sua identidade pessoal ativa.

Essa frieza linguística atinge seu ápice em momentos de antagonismo explícito. Posteriormente, quando Kabuto Yakushi tenta estabelecer uma conexão com Sasuke Uchiha, afirmando que ambos compartilharam o mesmo mestre, a reação subsequente demonstra a profundidade da rejeição imposta a Orochimaru. A resposta enfática rejeitando a associação, focando na negação da maestria do indivíduo, utiliza a objetificação como arma retórica: “essa coisa não era meu mestre”. O termo neutro e desumanizador (“essa coisa”) serve para deslegitimar toda a relação e a própria existência dele sob um prisma de subordinação.

Implicações Narrativas da Desumanização

A persistência desses momentos na obra sugere que, intencionalmente ou não, a narrativa utiliza a ambiguidade de gênero de Orochimaru como um pilar para sua caracterização como um ser marginalizado e moralmente ambíguo. Enquanto a série explora a discriminação baseada em linhagem (como com os Uchiha), a despersonalização de Orochimaru através da linguagem oferece um ângulo diferente sobre como a sociedade ninja lida com aquilo que desafia suas categorias binárias estabelecidas, transformando a confusão de gênero em um gatilho para a exclusão social e o tratamento desrespeitoso.

Analista de Anime Japonês

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Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.