A ambiguidade moral de hiruzen sarutobi: Análise da sua gestão como terceiro hokage
Uma análise aprofundada revela Hiruzen Sarutobi como uma figura controversa, cujo legado mistura passividade e decisões sistêmicas que afetaram Konoha.
A figura de Hiruzen Sarutobi, o Terceiro Hokage de Konohagakure, emerge como um dos pontos mais polarizadores no universo de Naruto. Enquanto sucessores como Hashirama Senju são lembrados pela força fundadora e Tobirama pela inovação institucional, a gestão de Sarutobi é frequentemente vista como um período de declínio, onde a inação e a manutenção do status quo permitiram o florescimento de problemas estruturais graves na Vila Oculta da Folha.
A fraqueza percebida na ascensão ao poder
Ao assumir o cargo, Sarutobi herdou a liderança em um momento onde seu prestígio pessoal e poder de fogo eram considerados inferiores aos dos clãs mais fortes, como o Uchiha e o Hyuga, em seu auge. Essa potencial disparidade de poder pode ter moldado sua abordagem política. Argumenta-se que essa percepção de fragilidade o forçou a adotar posturas mais passivas e reativas do que proativas, em contraste com a autoridade inquestionável de seu predecessor, Hashirama.
As consequências do Tratado da Terceira Guerra Shinobi
Um dos atos mais criticados de sua liderança é a decisão após a Terceira Guerra Shinobi. Apesar de uma vitória obtida em grande parte pelo mérito de figuras como Minato Namikaze, Sarutobi teria optado por não exigir reparações de guerra significativas. Essa escolha, muitas vezes justificada sob o manto da paz e da Vontade do Fogo, é vista por alguns como uma falha estratégica prejudicial aos interesses da vila, especialmente após um conflito tão custoso que forçou crianças ao campo de batalha.
O sistema de opressão contra o clã Uchiha
A situação do clã Uchiha durante seu mandato é um pilar central da crítica à sua administração. A decisão de Tobirama de alocar os Uchiha na força policial, embora inicialmente concebida como uma forma de monitoramento, sob Sarutobi e a influência de Danzo Shimura, intensificou o ostracismo. Essa política teve o efeito de diminuir a relevância militar dos Uchiha, limitando seu acesso a situações de combate que poderiam levar ao despertar de habilidades superiores, como o Mangekyo Sharingan. A escalada da desconfiança e a subsequente conspiração que culminou no massacre do clã, orquestrada após manipulação de jovens como Itachi, enfraqueceu ainda mais a estrutura de Konoha.
A Vontade do Fogo como ferramenta de justificação
A doutrina filosófica conhecida como a Vontade do Fogo, que idealiza o sacrifício das gerações antigas em nome do futuro das novas, parece ter se distorcido sob a gestão de Sarutobi. Em vez de significar a proteção das crianças, o conceito foi utilizado para legitimar o envio contínuo de jovens ninjas para conflitos, enquanto a liderança, incluindo o próprio Hokage, permanecia em posições seguras. A narrativa da necessidade moral transformou a violência institucionalizada em um dever cívico, um ciclo perigoso que a vila fundada para acabar com a matança infantil acabou por solidificar.
A cumplicidade passiva com Danzo Shimura
A tolerância contínua de Hiruzen Sarutobi em relação às táticas extremas de Danzo Shimura e sua organização, a Raiz, é vista como uma forma de evitar a confrontação com a violência inerente ao poder. Danzo funcionava como um agente para todos os atos moralmente questionáveis que Sarutobi se recusava a endossar pessoalmente. Manter Danzo ativo permitia que o Hokage preservasse sua imagem de líder benevolente, enquanto os Atos imorais, como experimentos e coletas de órgãos, ocorriam sob sua autoridade tácita. Essa delegação de brutalidade sugere uma falha ética fundamental em governar.
Outras falhas apontadas incluem a inação diante do escândalo envolvendo Sakumo Hatake, que levou ao suicídio do brilhante ninja devido à falta de apoio público da liderança, e o fracasso em reter seus próprios pupilos de elite, como Orochimaru e Tsunade, que buscaram refúgio em vícios ou exílio, indicando um ambiente de liderança falho ou opressor.
A complexidade de Sarutobi reside, portanto, em sua recusa em agir decisivamente contra os males estruturais que ele herdou ou permitiu crescer. Sob uma análise de ética prática, ele falha em proteger os menos poderosos e em confrontar as necessidades brutais do poder de estado, sendo um exemplo de como a passividade moral pode ser tão destrutiva quanto o mal ativo, perpetuando um sistema que ele professava querer reformar.