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Análise detalhada da adaptação de berserk de 2016 revela pontos altos e baixos além da animação cgi

Uma avaliação aprofundada da controversa série Berserk de 2016 foca na animação, trilha sonora, e dublagem, apontando acertos inesperados e falhas notórias.

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Analista de Mangá Shounen

04/02/2026 às 09:24

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A adaptação em anime de Berserk lançada em 2016 continua a ser um ponto de intensa discussão entre os entusiastas da obra de Kentaro Miura. Apesar da crítica generalizada focada na qualidade visual, uma análise mais detida sugere que a recepção da série pode ser mais matizada do que o consenso popular sugere, equilibrando falhas técnicas evidentes com acertos na ambientação sonora e na escolha de núcleos dramáticos.

O Dilema visual: CGI versus 2D

O aspecto mais imediatamente criticado foi, sem dúvida, a animação gerada por computador (CGI). O uso extensivo do 3D resultou em inconsistências notáveis, com a geometria dos personagens por vezes parecendo desarticulada, como exemplos de falhas onde partes do cabelo atravessavam os ombros das personagens. Contudo, a produção pontualmente recorreu à animação tradicional em 2D.

Observadores notaram que as sequências em 2D eram executadas com um cuidado e um estilo visualmente agradáveis, sugerindo que a série poderia ter alcançado um resultado muito superior se tivesse mantido um foco maior na animação tradicional. A dependência exclusiva do CGI é vista como um obstáculo significativo à fluidez e à estética esperada da franquia.

Narrativa e Adaptação de Arcos

Em termos de enredo inicial, a série de 2016 tomou liberdades significativas com a cronologia, integrando elementos do arco The Black Swordsman (Espadachim Negro) com desvios narrativos, como o foco na Farnese e o episódio da casa mal-assombrada. Embora essas adições tenham sido vistas por alguns como inovações, elas romperam com a estrutura seguida pela aclamada animação de 1997.

O destaque positivo recai na coragem de abordar arcos posteriores da história, como a Convicção, evitando a saturação da Golden Age Arc, amplamente coberta por adaptações anteriores, incluindo os filmes. A preferência por focar em Guts com seu novo grupo de companheiros, uma fase rica em desenvolvimento de personagens secundários como Schierke e Serpico, é vista como um acerto estratégico para quem desejava ver material fresco da obra.

Análise Sonora e Dublagem

A sonorização apresentou um ponto curioso: o efeito sonoro da espada de Guts, descrito comicamente como o som de uma frigideira, foi uma particularidade marcante nas primeiras fases, embora tenha se mitigado posteriormente.

Por outro lado, a trilha sonora original foi bem recebida, encaixando-se tematicamente com a narrativa, mesmo que houvesse certa repetição nos temas musicais, algo comum em produções da época.

A dublagem em inglês (EN) gerou reações polarizadas. Enquanto grande parte do elenco foi elogiada, as vozes de Isidro e Puck foram alvo de fortes críticas. A interpretação de Puck foi caracterizada como excessivamente aguda, soando forçada, enquanto a voz de Isidro foi percebida como monótona e desprovida de variação emocional, falhando em transmitir a natureza petulante do personagem, exceto em momentos de grito.

Apesar das ressalvas técnicas, a experiência geral para o fã dedicado de Berserk que optou por assistir ao invés de apenas ler o mangá, foi considerada minimamente satisfatória. Para novos espectadores, contudo, a recomendação se restringe a quem já possui familiaridade com o material original, sugerindo que as adaptações anteriores ou o mangá permanecem como ponto de partida ideal.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.