A complexa cena pós-tortura de griffith com o rei e a princesa charlotte: Desvendando o simbolismo em berserk
A enigmática interação entre Griffith, o Rei de Midland e a Princesa Charlotte após o tormento levanta debates profundos sobre a visão de mundo do Femto.
A ambiguidade da ascensão: A cena crucial entre Griffith e a Realeza de Midland
A narrativa de Berserk, obra-prima de Kentaro Miura, é notória por sua densidade psicológica e pelos momentos que desafiam interpretações simplistas. Em meio à jornada épica de Guts e à tragédia da Equipe do Falcão, um episódio específico, situado após o calvário de Griffith, continua a intrigar leitores que exploram as edições de luxo do mangá: o encontro bizarro no quarto do Rei de Midland com a Princesa Charlotte.
Este segmento, frequentemente classificado como perturbador, surge em um ponto de inflexão para Griffith, que ressurgiu transformado após a consumação do Eclipse. A cena apresenta um Rei de Midland visivelmente afetado, quase enfeitiçado, e a presença da jovem princesa. O cerne da análise reside em determinar o propósito exato desta interação dentro do grande esquema narrativo da ascensão do Fênix.
Insight ou Manipulação? A percepção de Griffith sobre o poder
A principal dúvida que emerge dessa sequência é se ela serve para validar a filosofia niilista e a percepção aguçada de Griffith sobre a natureza humana. Após ser despojado de seu corpo e de toda a sua honra, a reconstrução de Griffith como Femto é instantânea e total. O modo como ele interage com o Rei de Midland sugere que ele não apenas retoma seu poder político, mas o faz explorando as fraquezas inerentes ao governante. O Rei, antes uma figura de autoridade, parece submisso, quase infantilizado pela presença de Griffith.
Isto pode ser lido como a demonstração prática da tese de Griffith: a ambição e os desejos mais profundos, sejam eles de governança ou desejos secretos, são as únicas moedas verdadeiras de troca no mundo. As palavras proferidas, ou mesmo o silêncio carregado, ecoam a capacidade de Griffith de manipular as emoções e os anseios dos outros, transformando-os em ferramentas para seu objetivo final.
O papel da Princesa Charlotte e a inocência corrompida
A inclusão da Princesa Charlotte adiciona uma camada extra de desconforto. A interação dela com Griffith, envolta em uma atmosfera sexualmente carregada e moralmente ambígua, cimenta a ideia de que a corrupção moral atingiu o ápice da corte. Se o Rei está entregue a seus desejos mais obscuros, a proximidade da princesa simboliza a fragilidade da inocência diante do poder absoluto, mesmo quando esse poder é recém-adquirido e monstruoso.
Alguns analistas ponderam se a cena demonstra que Griffith, em sua nova forma, não apenas entende, mas incorpora a podridão que ele vê nas estruturas de poder, como o sistema feudal de Midland. Ele não está simplesmente jogando um jogo político; ele está redefinindo as regras com base na predação psicológica. A frieza com que ele desarma o Rei reforça sua afirmação de que os laços humanos são meras ilusões quando comparados à realização de um sonho pessoal, um tema central explorado ao longo de toda a saga de Berserk.
Em última análise, a cena é um microscópio focado no novo estado de ser de Griffith: um ser que transcendeu a moralidade humana para operar em um plano onde a manipulação emocional e a utilização de indivíduos são atos triviais para consolidar seu retorno triunfal. A imagem final é a da ambição soberana, libertada de qualquer vestígio de humanidade ou remorso.