Análise de expectativas: O que alimenta o ceticismo crescente sobre o sucesso massivo de "frieren: Beyond journey's end"
Apesar da aclamação, algumas perspectivas questionam a originalidade e o ritmo de "Frieren", apontando falhas na estrutura narrativa e nos antagonistas.
O anime Frieren: Beyond Journey's End (Sousou no Frieren) alcançou um patamar de aclamação quase universal desde sua estreia, frequentemente comparado a obras que redefiniram seus gêneros. No entanto, em meio ao entusiasmo majoritário, surgem vozes que ponderam se o hype em torno da elfa maga é justificado pela qualidade inerente da produção ou se as expectativas foram infladas.
A sensação de familiaridade em uma jornada sobre a efemeridade
Uma das críticas centrais reside na sensação de que, apesar das subversões temáticas que abordam a mortalidade e a passagem do tempo sob a ótica de uma elfa imortal, a estrutura geral da série pode soar previsível. Argumenta-se que, enquanto títulos como Puella Magi Madoka Magica ou mesmo One Punch Man representaram rupturas categóricas em suas categorias, Frieren parece adotar tropos familiares, oferecendo apenas uma camada superficial de novidade.
O ritmo da narrativa é outro ponto de discórdia. Embora a lentidão narrativa possa ser intencional para refletir a longa vida da protagonista, alguns espectadores percebem a progressão como dispersa. Há a impressão de que muitos episódios dedicam tempo a momentos de ambientação, que, diferentemente de narrativas intrincadas como Steins;Gate, onde detalhes aparentemente triviais se conectam mais tarde, parecem contribuir apenas para a atmosfera, sem avançar significativamente a trama principal.
Um exemplo citado dessa descontinuidade é a inclusão de personagens secundários que são introduzidos com bom desenvolvimento por alguns capítulos, mas que simplesmente desaparecem do arco principal sem um impacto imediato no destino da jornada. A memorabilidade de momentos tocantes ou engraçados não seria suficiente para sustentar a necessidade de tantos desvios, levando ao questionamento sobre a eficácia do foco narrativo.
A motivação dos demônios e a lógica do conflito
A análise se estende aos antagonistas centrais, a raça dos demônios. Inicialmente, a representação de vilões puramente maus, sem longas e complexas justificativas de fundo, foi vista como um alívio contra o clichê do vilão com passado trágico. Contudo, a persistência dessa maldade unidimensional levanta dúvidas sobre a profundidade do conflito estabelecido.
A crítica sugere que, se todos os inimigos são definidos unicamente pela sua natureza destrutiva, eles perdem a capacidade de se tornarem figuras memoráveis. A saga dos demônios, apesar de sua suposta astúcia, é vista como incoerente após a morte do Rei Demônio. Seria mais lógico para os demônios restantes se retirarem ou focarem em sobrevivência, afastando-se de batalhas que parecem fadadas ao fracasso, o que torna suas estratégias e conversas de vilania um tanto ilógicas.
A controvérsia sobre o fanservice
Por fim, um ponto de divergência surpreendente diz respeito à ausência de fanservice, algo frequentemente elogiado pelos defensores da obra. O contraponto aponta para uma ironia na discussão: a personagem principal, Frieren, é retratada com características de uma loli legal, e há cenas específicas, como o uso de poções que dissolvem vestimentas, que parecem contradizer a narrativa de que o anime se abstém de apelos sexuais visando o público masculino.
Essas observações, ainda que minoritárias em relação ao consenso geral, fornecem uma visão mais matizada sobre a recepção de Frieren, destacando que mesmo obras muito aclamadas podem ser examinadas sob a ótica da coerência estrutural e da inovação real dentro do gênero de fantasia.