Análise aprofundada questiona a coerência das rivalidades entre sanemi, obanai e o protagonista de kimetsu no yaiba

Uma análise sobre os laços de inimizade entre Sanemi Shinazugawa, Obanai Iguro e Tanjiro Kamado levanta questões sobre a motivação e justificação de suas atitudes.

An
Analista de Mangá Shounen

23/02/2026 às 22:44

7 visualizações 6 min de leitura
Compartilhar:
Análise aprofundada questiona a coerência das rivalidades entre sanemi, obanai e o protagonista de kimetsu no yaiba

A jornada do protagonista Tanjiro Kamado em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer) é marcada por sua inabalável gentileza, mesmo em meio a um cenário brutal. Contudo, a receptividade fria e, por vezes, agressiva de dois Hashiras proeminentes, Sanemi Shinazugawa e Obanai Iguro, gera um ponto de debate significativo sobre a construção de suas personalidades e a lógica de seus comportamentos iniciais.

A hostilidade persistente de Sanemi Shinazugawa

O ódio inicial exibido por Sanemi contra Tanjiro, mesmo após a intervenção das autoridades da organização de Caçadores de Demônios, é visto como excessivo. O primeiro encontro, que culmina no teste de Sanemi ao esfaquear Nezuko e expor seu próprio sangue para tentar provocar a demônio, já denota uma abordagem extrema para um julgamento oficial. Embora a proteção de um demônio seja um ato de extrema estupidez dentro do contexto da trama, a escalada da violência física e ameaças diretas contra Tanjiro parecem desproporcionais.

A persistência dessa animosidade é ainda mais notada posteriormente. Mesmo após Tanjiro provar seu valor incrivelmente ao auxiliar na derrota de Luas Superiores, Sanemi mantém uma postura de desrespeito, especialmente durante o arco de treinamento dos Hashiras. O rancor demonstrado por Sanemi, que chegava a endurecer o treinamento com Tanjiro simplesmente por ter sido rebatido com uma cabeçada, é questionado por negligenciar os feitos do jovem protagonista em prol de um ressentimento pessoal.

Um aspecto mais delicado da caracterização de Sanemi reside na sua relação com o irmão mais novo, Genya Shinazugawa. Alegando um desejo de protegê-lo, a atitude de Sanemi é frequentemente destrutiva. A tentativa de cegar Genya ao descobrir seu caminho para o poder, após o irmão decidir consumir demônios para lutar, é apontada como um bloqueio extremo à autonomia e ao desenvolvimento de Genya. Há quem argumente que um diálogo aberto seria um caminho mais protetor do que ações que afastam e ferem, comparativamente até mesmo mais severas do que o tratamento dispensado por Kokushibo ao seu irmão Yorichii em eras passadas.

O ciúme territorial de Obanai Iguro

Em contraste, a motivação para a antipatia de Obanai Iguro em relação a Tanjiro parece ser construída sobre uma base mais frágil: o ciúme. A principal fonte de atrito reside no fato de Tanjiro ser naturalmente amigável e próximo de Mitsuri Kanroji, a Hashira do Amor. A relutância de Obanai em aceitar essa amizade, dada a sua própria incapacidade ou hesitação em declarar seus sentimentos por Mitsuri, projeta sua insegurança no garoto Kamado.

Mesmo após Tanjiro ter demonstrado lealdade, salvado Mitsuri e estabelecido uma parceria eficaz contra a Lua Superior Quatro (Hantengu), Obanai manteve uma grosseria injustificada. A frieza e os eventuais desejos de morte proferidos contra Tanjiro, mesmo quando este tentava estabelecer uma relação cordial, são vistos como um comportamento desnecessário, dado o cenário de guerra iminente contra Muzan Kibutsuji.

A exceção: A inimizade com Giyuu Tomioka

Uma das poucas inimizades que recebe um grau de validação dentro da narrativa é a tensão entre Sanemi e Giyuu Tomioka, o Hashira da Água. Enquanto Giyuu é frequentemente mal interpretado devido à sua comunicação deficiente, que muitas vezes projeta uma imagem de arrogância ou superioridade, Sanemi parece reagir justamente a essa postura passiva-agressiva. A forma como Giyuu lida com os outros Hashiras, muitas vezes com respostas curtas ou comentários que parecem depreciativos, oferece uma justificativa mínima para a irritação de Sanemi, que é notoriamente mais volátil e direto.

Apesar dos fatores de fundo, o tratamento dispensado a Tanjiro por esses dois pilares da organização sugere um enfoque em criar obstáculos emocionais para o protagonista. A recusa em aceitar a bondade, simbolizada na cena em que Tanjiro tenta oferecer doces de arroz (ohagi) para apaziguar Sanemi, reforça a tese de que esses personagens carregam traumas tão profundos que os impedem de reconhecer a virtude genuína, independentemente do contexto da luta contra os demônios. O estudo dessas dinâmicas interpessoais complexas continua a ser um elemento fascinante na obra de Koyoharu Gotouge.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.