Análise: A complexidade de classificar solo leveling como 'genérico' no cenário de fantasia moderna

O debate sobre a originalidade de Solo Leveling ignora a fusão única de fantasia épica com a sociedade contemporânea.

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Análise: A complexidade de classificar solo leveling como 'genérico' no cenário de fantasia moderna

A recepção da adaptação animada de Solo Leveling trouxe à tona uma discussão persistente no fandom de fantasia e ação asiática: a validade da acusação de que a obra seria excessivamente genérica. Ao analisar a estrutura da narrativa, fica evidente que classificar a série apenas pelos seus elementos reconhecíveis distorce o valor de sua execução e ambientação.

Quando o familiar ganha um novo contexto

Críticos frequentemente apontam que Solo Leveling utiliza tropos estabelecidos como caçadores, portais, masmorras (dungeons), sistemas de ranqueamento e progressão de níveis. De fato, esses conceitos não foram inventados pela obra sul-coreana. Elementos de sistemas de jogo já são comuns em gêneros como isekai e fantasia de ação.

No entanto, a força motriz de Solo Leveling reside na forma como esses elementos são integrados a um cenário de mundo moderno, semelhante à nossa sociedade contemporânea. A mescla de fenômenos sobrenaturais, como o surgimento de portais dimensionais, com estruturas sociais, econômicas e militares do século XXI cria uma camada de verossimilhança e imediatismo raramente explorada com tal intensidade.

A fusão de gêneros como inovação

Chamar a série de genérica devido à presença desses instrumentos narrativos é ignorar a importância da contextualização. A lógica aplicada a Solo Leveling poderia, por extensão, invalidar a originalidade de inúmeras outras produções bem-sucedidas. Considere, por exemplo, obras de fantasia épica tradicionais que utilizam elementos universais:

  • Magia e feitiçaria.
  • Organização em partidos de heróis.
  • A presença de Lordes Demônios e seres divinos.

O exemplo de séries que equilibram fantasia clássica com narrativas estabelecidas, como é o caso de Frieren: Beyond Journey’s End, demonstra que a mera presença de arquétipos não define a originalidade.

A verdadeira distinção de Solo Leveling, que o afasta do rótulo de genérico, é a maneira como ele trata o elemento de leveling como uma infraestrutura social e um segredo de estado, e não apenas como um mecanismo de jogo isolado. A ascensão meteórica do protagonista, impulsionada por um sistema que só ele parece acessar plenamente, ganha peso dramático justamente por colidir com a burocracia e a hierarquia estabelecida dos caçadores mundiais.

A narrativa oferece uma visão refrescante sobre como a sociedade reagiria se a fantasia, em um formato estruturado e quantificável, se manifestasse repentinamente no cotidiano. É essa sinergia entre o mundo real e os poderes fantásticos que sustenta o apelo maciço da obra e a diferencia de produtos puramente escapistas, consolidando seu lugar no panorama atual.

Analista de Webtoons e Direitos Autorais

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Especialista em análise de propriedade intelectual (IP) de webtoons coreanos, com foco em verificação de autenticidade de criadores e plataformas digitais como KakaoPage. Foca em relatar discrepâncias e desinformação com base em evidências legais ...