Análise de conexão visual entre o início e o fim do arco do capítulo 80 de berserk

Uma investigação sobre o padrão de horror recorrente na obra de Kentaro Miura, comparando o primeiro encontro de Guts com uma cena posterior.

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Analista de Mangá Shounen

24/02/2026 às 16:12

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A narrativa densa e sombria de Berserk, obra-prima de Kentaro Miura, frequentemente utiliza o horror corporal e o simbolismo visual para aprofundar seus temas de trauma e bestialidade. Uma observação notável na continuidade visual da série compara a primeira aparição de uma entidade monstruosa no capítulo de estreia com uma cena específica ao final do capítulo 80, levantando questionamentos sobre a identidade e o ciclo de violência associado a essas criaturas.

A Dualidade da Revelação Monstruosa

No panorama inicial de Berserk, o protagonista Guts é retratado em um confronto visceral. Este encontro inicial desvela uma criatura que se assemelha inicialmente a uma figura feminina, mas que rapidamente se revela uma abominação grotesca. O horror está na subversão da forma humana, utilizando o corpo para fins repulsivos, um tema constante na série.

Anos e incontáveis batalhas depois, no ponto culminante do capítulo 80 (já sob a condução póstuma de Kouji Mori e o estúdio Gaga), surge uma cena de profunda perturbação protagonizada por Corkus. Ele é visto interagindo, ou melhor, cavando, no corpo de uma entidade que, à primeira vista, também sugere uma forma feminina. O paralelo visual entre essa cena e a primeira aparição de um monstro no mangá é potente.

O Padrão da Transformação e a Imagem Recorrente

O ponto de investigação reside precisamente em saber se a 'monstruosidade' encontrada por Corkus no clímax da narrativa atual corresponde à mesma entidade que Guts despachou no alvorecer de sua jornada, após os eventos descritos no volume 1. Essa possível recorrência não seria apenas um mero *flashback* visual, mas sim uma sugestão de um ciclo de horror inerente ao mundo de Berserk.

Em narrativas de fantasia sombria como esta, a repetição de inimigos ou arquétipos monstruosos simboliza a inescapabilidade do trauma. Se a criatura é a mesma, isso sugere que o mal confrontado permanece latente e recorrente, independentemente do desenvolvimento dos personagens ou do tempo transcorrido desde a primeira batalha de Guts, que é um dos personagens mais estudados na história do mangá, conforme explorado em análises sobre fantasia sombria.

A natureza da interação de Corkus, que é complexa devido ao seu estado mental e físico, adiciona uma camada de desespero à cena. A comparação forçada entre ela e a experiência seminal de Guts estabelece um diálogo silencioso entre os ecos do passado e o sofrimento presente. Analisar este elo visual ajuda a entender como Kentaro Miura arquitetou um universo onde o horror inicial é uma semente para todas as atrocidades subsequentes, reaparecendo em momentos cruciais da trama para reforçar a natureza cíclica da dor na saga de Guts e do Bando do Falcão.

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Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.