Análise crítica aponta falhas narrativas na luta de sasori em naruto shippuden
A batalha épica entre Sasori, Sakura e Chiyo é reexaminada sob a ótica de inconsistências de poder e desenvolvimento de roteiro no anime e mangá.
Um dos confrontos mais aguardados na fase Naruto Shippuden, a batalha contra Sasori, o mestre das marionetes da Akatsuki, tem sido objeto de intenso escrutínio por parte dos fãs da obra de Masashi Kishimoto. A despeito da popularidade e do peso dramático do antagonista, uma análise focada na progressão do combate sugere graves problemas de lógica e escrita que minam a credibilidade da vitória.
A dissonância do poder de Sasori
Sasori é apresentado como uma ameaça de nível Kage, responsável pela morte do Terceiro Kazekage e mestre em controlar centenas de marionetes simultaneamente, incluindo a arma viva do vilarejo da Areia. Tais feitos estabelecem um patamar de poder que sugere uma aniquilação rápida de adversários consideravelmente mais fracos.
O cerne da crítica reside no fato de que Sasori, em diversos momentos cruciais da luta contra Sakura Haruno e a anciã Chiyo, teria a capacidade técnica para encerrar rapidamente o confronto. Há sequências em que o controle das marionetes ou o uso de venenos letais poderiam ter sido aplicados com eficácia imediata, eliminando as protagonistas antes que pudessem coordenar suas táticas complexas. A prolongação desnecessária da batalha levanta questionamentos sobre a intencionalidade do roteiro em preservar os personagens principais.
A questão do veneno e a força de vontade
Outro ponto levantado enfaticamente diz respeito à aplicação do veneno de Sasori. O jutsu venenoso, notoriamente mortal, é neutralizado em Sakura pela força de vontade herdada de sua mestra, Tsunade. Embora o desenvolvimento da força interior das personagens seja um tema recorrente no universo Naruto, a anulação de um efeito letal de forma tão absoluta, através de um mero fator psicológico, é vista como uma solução narrativa conveniente e pouco fundamentada em termos de mecânicas de combate estabelecidas.
Impacto da escrita na percepção do vilão
Sasori, como personagem, é frequentemente elogiado por seu desenvolvimento trágico e sua complexidade psicológica, representando a frieza e a solidão inerentes à sua arte. Contudo, a forma como ele é derrotado parece desvalorizar esse potencial dramático e seu poder demonstrado anteriormente. O contraste entre a capacidade de Sasori de dominar um Kage e sua incapacidade de superar duas kunoichis (uma das quais lutava sob efeito de veneno) cria uma falha de consistência palpável.
A execução de técnicas finais emblemáticas pelas heroínas, como o uso coordenado das habilidades de cura de Sakura e as técnicas de marionetes de Chiyo, é visualmente impactante. No entanto, quando analisado o momento em que a anciã Chiyo executa seu jutsu derradeiro, a lentidão percebida nos movimentos, combinada com a dependência de proteção por parte das protagonistas, reforça a ideia de que o desfecho foi sustentado por um excesso de plot armor, em detrimento da coerência interna do arco de poder do antagonista. Essa dissonância torna a vitória agridoce para muitos observadores da série.