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Análise aponta produção caótica e terceirização excessiva na terceira temporada de one punch man

Especulações detalhadas revisitam o histórico da franquia e acusam má gestão interna do estúdio JC Staff no anime.

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Analista de Mangá Shounen

16/01/2026 às 20:06

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Análise aponta produção caótica e terceirização excessiva na terceira temporada de one punch man

A terceira temporada do aclamado anime One Punch Man tem sido alvo de intensa análise por parte da comunidade de fãs, concentrando-se em entender a origem da qualidade visual percebida como inferior em comparação com a primeira temporada. Uma investigação minuciosa dos prazos, anúncios e do histórico de produção do estúdio responsável, o JC Staff, sugere um cenário de produção apressada e excessivamente dependente de terceirização.

Para contextualizar a situação atual, é relevante olhar para a segunda temporada. Foi notado que, após o anúncio em agosto de 2018, o primeiro preview (PV1) só surgiu em janeiro de 2019, com cenas reais do primeiro episódio, indicando um espaço de produção de cerca de seis a sete meses para concluir a animação. Relatos indicam que a produtora Bandai Namco teria buscado inicialmente o estúdio Madhouse, detentor da aclamada primeira temporada, mas devido a prazos apertados, o projeto foi transferido para o JC Staff. O diretor original da primeira temporada, Shingo Natsume, chegou a expressar interesse em retornar, mas a contratação por um estúdio freelancer depende de primeiro contato e oferta, o que aparentemente não ocorreu sob a gestão do JC Staff.

O Dilema da Produção da Terceira Temporada

A expectativa para a OPM S3 aumentou no final de 2024, com a revelação de que a exibição ocorreria em outubro de 2025, sugerindo um cronograma de produção de mais de 18 meses, tempo considerado confortável para garantir um resultado de alta qualidade. No entanto, o lançamento do primeiro PV em março de 2025, apenas sete meses antes da estreia, sem a confirmação oficial do diretor, gerou preocupações sérias. Observou-se que esse padrão de anúncio tardio de direção e conteúdo visual é recorrente em produções recentes do JC Staff, como em Date A Live S3 e Index S3, levantando a hipótese de que a produção efetiva teria começado apenas dois ou três meses antes da exibição.

Apesar de o JC Staff ter a reputação de produzir um volume alto de animes anualmente, a análise aponta que, em 2025, eles teriam cinco projetos no total, um número menor que o habitual. Isso sugere que, mesmo com menos projetos concorrentes, o estúdio não conseguiu alocar o tempo necessário para OPM S3. Um ponto levantado é a contratação de Shipei Nagai como responsável pelo storyboard, supostamente escolhido por sua velocidade de trabalho, em vez de sua adequação ao tom da obra, visto que seu histórico é majoritariamente em comédias românticas ou slice of life.

Sinais de Pressa e Descontinuidade Técnica

Um forte indicativo de produção sob pressão foi o registro de que os dubladores (voice actors) ainda estavam em sessões de gravação em julho, um mês antes da estreia. Em produções com qualidade consistente, a dublagem geralmente está finalizada meses antes, permitindo ao diretor supervisionar a sincronia com a animação. A aparente pressa culminou em uma alta taxa de terceirização, com mais da metade da animação sendo feita fora do estúdio principal. Essa dependência externa é citada como a causa da fluidez irregular e inconsistente das cenas, atribuída à falta de animadores de segunda fase (2nd Key Animators) e intermediários trabalhando sob coordenação estrita.

Em contraste, a qualidade da arte conceitual produzida pelo diretor de animação da primeira temporada, Chikashi Kubota, que sempre trabalhou como Diretor Chefe de Animação (CAD) nas épocas de maior qualidade, demonstra o nível técnico que poderia ter sido alcançado. Kubota, que trabalhou no visual promocional da S3 com maestria, não assumiu o posto de CAD nas temporadas recentes, possivelmente devido a custos ou indisponibilidade causada pela falta de tempo de produção.

A especulação central sugere que a Bandai Namco forneceu um orçamento e prazo adequados, possivelmente superiores a 18 meses, mas o JC Staff teria priorizado outros projetos e alocado apenas dois a três meses de trabalho efetivo para One Punch Man no final do cronograma. Tal má gestão interna, em vez de uma falha orçamentária por parte da Bandai, é frequentemente apontada como o cerne do problema. A decepção se resume à sensação de que um investimento de alto potencial foi desperdiçado por decisões executivas internas no estúdio, resultando em um produto que, para muitos, desrespeita a obra original e seus fãs mais dedicados.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.