Análise aponta repetição na fórmula narrativa de bleach e foco excessivo nos shinigami
Uma observação detalhada da estrutura de arcos de Bleach sugere um padrão recorrente centrado na Soul Society e Ichigo.
Uma análise atenta da progressão narrativa de Bleach, a popular obra de Tite Kubo, sugere que a série pode seguir uma fórmula previsível, especialmente no tratamento de seus conflitos centrais e na distribuição de foco entre as facções envolvidas. Esta perspectiva levanta questionamentos sobre a profundidade do desenvolvimento de lore fora do pelotão principal dos Shinigami.
A repetição do ciclo de crise
A estrutura argumentada aponta para um ciclo que se repete em diversos momentos cruciais da trama. Essencialmente, o padrão começaria com algum erro histórico ou falha moral significativa da Soul Society, muitas vezes ligada ao passado ou à sua hierarquia de poder. Este descuido ou malevolência estabelece o palco para que um antagonista poderoso surja, motivado a destruir o mundo ou derrubar a estrutura governante dos Shinigami.
A sequência de eventos se desenrola com a Soul Society sendo inicialmente dominada, culminando em uma fase onde os protagonistas, incluindo Ichigo Kurosaki, são superados. Segue-se um período focado em treinamento intenso. O clímax ocorre quando Ichigo atinge um novo patamar de poder, muitas vezes auxiliado por aliados, para garantir a vitória final. Para os críticos desta visão, este encerramento padrão pode enfraquecer o impacto de soluções criativas em arcos subsequentes.
O foco narrativo unilateral
Um ponto de debate central reside na centralização do desenvolvimento de personagens. Apesar da existência de quatro espécies principais no universo da obra - Shinigami, Hollows (Arrancars), Humanos com poderes espirituais (Fullbringers) e Quincy -, o foco do aprofundamento narrativo parece residir quase exclusivamente nos Shinigami. A crítica sugere que facções aliadas ou inimigas derrotadas são subutilizadas em termos de construção de caráter.
Por exemplo, os Fullbringers, após uma breve introdução, parecem ser marginalizados no cenário de conflitos maiores, só retornando ao palco principal quando a própria Soul Society está em perigo iminente. De maneira semelhante, os Arrancars, apesar de serem uma raça ameaçada pela aniquilação (principalmente pelos Quincy), dependem de intervenção externa, frequentemente mediada pela Soul Society, para sua sobrevivência.
A expectativa levantada é sobre o desenvolvimento do poder dessas outras facções. Como os Arrancars ou Fullbringers evoluíram para atingir o nível de poder necessário para contribuir significativamente em batalhas como a Guerra Sangrenta dos Mil Anos, por exemplo, sem que isso fosse um foco da narrativa principal? A ausência desse desenvolvimento cria a percepção de que o crescimento dos personagens secundários ou aliados depende de saltos de poder não explorados.
Esta fórmula, embora eficaz em manter a ação centrada em Ichigo e nos seus laços com seus companheiros Shinigami, levanta a questão de se o vasto mundo criado por Kubo poderia se beneficiar de uma distribuição mais equitativa da atenção narrativa, explorando os arcos de redenção ou o avanço de poder de grupos que orbitam o protagonista, enriquecendo a tapeçaria geral da história.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.