Análise hipotética: Como griffith lidaria com o encontro com adonis em berserk
Um cenário alternativo explora a interação fatídica entre Griffith e o jovem Adonis, um ponto de inflexão crucial na narrativa.
A figura de Griffith, o ressuscitado e agora Femto, carrega um peso imenso na mitologia de Berserk. Sua ascensão e a subsequente tragédia do Eclipse são eventos centrais que moldam o destino de Guts e Casca. Uma vertente de análise especulativa foca em um momento particularmente sombrio: o encontro com o Príncipe Adonis de Falconia.
O evento canônico mostra Adonis, filho do Rei Gaiseric e de uma rainha obscura, sendo uma criança destinada ao sacrifício ritualístico sob as ordens de uma figura influente. A questão que emerge é: se o próprio Griffith, em sua forma atual de ser divino e manipulador, tivesse se envolvido diretamente naquele episódio, o desfecho seria diferente ou apenas mais eficiente?
A Personagem Griffith e a Manipulação Pragmática
Griffith, mesmo antes de se tornar Femto, sempre foi um mestre da percepção e da influência. Sua ambição primordial era criar um reino onde ele reinasse, um lugar de beleza e paz, independentemente do custo humano. Ao se deparar com um elemento tão volátil quanto o jovem príncipe Adonis, a abordagem de Griffith seria ditada por sua visão de mundo pós-Eclipse.
Enquanto o Imperador Gaiseric (cuja história está intrinsecamente ligada ao passado de Griffith e da Lenda Arturiana) foi vitimizado por suas próprias ambições e pela mão de Void, Griffith, agora como um Ser Apóstolo, não sofreria das mesmas hesitações morais ou limitações humanas.
A Escolha de Falcônia
O reino de Falcônia é apresentado como uma utopia externa, um bastião de segurança contra as criaturas demoníacas, construído sobre uma fundação de sacrifício e manipulação sutil. Se Griffith tivesse lidado pessoalmente com Adonis, ele teria duas opções principais, ambas calculadas para servir ao seu objetivo maior:
- Eliminação Silenciosa e Planejada: Griffith poderia ter orquestrado a morte de Adonis sem a necessidade de um ritual público visível, talvez simulando uma doença ou um acidente político. Isso manteria a fachada de piedade e controle que ele projeta sobre seu público devoto, evitando qualquer sombra de suspeita sobre sua crueldade intrínseca.
- Utilização Simbólica: Dado o poder de Griffith de coagir, ele poderia ter transformado o menino em um peão de seu novo regime, ou talvez, em um sacrifício menor e mais controlado para consolidar seu poder inicial sobre os seus seguidores mais próximos, sem a necessidade de um espetáculo massivo como o que ocorreu no Eclipse original.
A diferença crucial reside no fato de que, como Femto, Griffith opera em um nível de causalidade muito além da compreensão humana. O encontro com Adonis não seria um mero ato de violência aleatória, mas sim um movimento estratégico, visando solidificar a gênese de Falcônia ou eliminar um potencial rival de linhagem sem contaminar a imagem angelical que ele cultiva cuidadosamente.
A Perspectiva da Piedade Falsa
Griffith exibe uma habilidade incomum de inspirar devoção cega, sendo visto por muitos como um salvador. Seu manuseio de qualquer criança, especialmente uma de sangue real com um destino trágico como Adonis, seria tingido por essa falsa piedade. Ele certamente usaria a situação para reforçar sua imagem de mártir ou protetor. O objetivo dele nunca seria a humanidade de Adonis, mas sim o que a ausência ou a presença do menino significaria para o futuro de seu reino idealizado.
Em última análise, a intervenção direta de Griffith provavelmente teria tornado o destino de Adonis não menos sombrio, mas certamente mais limpo em termos de imagem pública. A frieza calculista do Lorde das Trevas, despojada das emoções humanas que Guts ou até mesmo a inocência da violência de Midland possuíam, resultaria em uma gestão mais asséptica e, paradoxalmente, mais aterrorizante de qualquer ameaça potencial à sua ascensão.