Análise aprofundada revela a dinâmica complexa de hisoka com machi em hunter x hunter
O comportamento de Hisoka com Machi, especialmente sua aparente submissão, contrasta drasticamente com sua natureza sádica, sugerindo respeito pela autonomia dela.
Uma análise detalhada das interações entre Hisoka e Machi, personagens centrais em Hunter x Hunter, revela camadas de nuance que desafiam a percepção comum do protagonista como um psicopata unidimensional. Ao ignorar a fachada de extrema depravação inerente ao personagem, é possível discernir um padrão de respeito pela autonomia alheia, particularmente notável no tratamento dedicado a Machi.
O Contraste do Consentimento: Hisoka versus Illumi
A relação de Hisoka com Machi é frequentemente contrastada com a dinâmica entre Illumi Zoldyck e Killua. Enquanto Illumi exerce um controle parasitário sobre seu irmão, utilizando agulhas para suprimir a vontade de Killua sob o pretexto de proteção, a interação entre Hisoka e Machi opera sob um princípio oposto.
Hisoka, conhecido por sua defesa fanática por sua própria autonomia, aceitou ser costurado por Machi após sua luta, permitindo que as linhas dela penetrassem sua carne sem qualquer defesa de Aura. No contexto de Hunter x Hunter, onde o Nen é a manifestação da subjetividade e vontade, permitir tal proximidade implica um consentimento ativo e voluntário. Ele se coloca intencionalmente à mercê dela, um ato que sinaliza um profundo respeito pela agência de Machi, tão valorizada quanto a sua própria.
A Vulnerabilidade Escondida em Yorknew
No arco de Yorknew, momentos cruciais de aparente vulnerabilidade sugerem que a performance de Hisoka nem sempre é calculada para manipulação externa. Quando ele convida Machi para sair, o autor da obra esconde o rosto de Hisoka atrás de um balão de texto, negando tanto ao público quanto à personagem a visão de sua emoção. Ele só volta a exibir seu rosto para o leitor após ela partir e a porta se fechar.
Este recuo imediato sugere que, longe de fingir para ela, Hisoka se retira para processar um momento de fragilidade. O sorriso subsequente é direcionado à porta vazia, indicando um sincero anseio por conexão ou cuidado, algo que ele só permite a si mesmo quando não está sendo observado ativamente.
A Aceitação da Autonomia Emocional
O padrão se estende ao momento em que Hisoka questiona quem ela salvaria entre ele e Chrollo Lucilfer. Em vez de um olhar desafiador comum a um narcisista, ele desvia o olhar, indicando uma expectativa de rejeição. Quando Machi afirma que o caçaria se ele matasse Chrollo, a reação de Hisoka não é de euforia maníaca, mas sim de um olhar resignado, afirmando que “gosta disso”.
Argumenta-se que ele aprecia a demonstração de vontade dela em priorizar Chrollo, aceitando essa “medalha de consolação” por respeitar a decisão dela. A ausência de sua habitual expressão chama a atenção, sugerindo que ele está em conflito interno, resistindo em admitir que aceita a lealdade dela a outra pessoa.
Machi Fora da Caixa de Brinquedos
Durante o arco da Eleição, Hisoka categoriza indivíduos dignos de seu interesse para combate e eventual destruição em sua “Caixa de Brinquedos”, lista que inclui Gon e Illumi. Machi, no entanto, está ausente dessa lista. Isso implica que ela não se encaixa na categoria de “brinquedo” descartável.
Machi representa estabilidade, a única pessoa capaz de costurá-lo e devolvê-lo à vida após a morte. Ela não é uma presa, mas sim uma parceira de igual valor de subjetividade, cuja existência ativa ele necessita, criando uma categoria separada para ela.
A Ruptura Pós-Morte
A ressurreição de Hisoka marca uma mudança drástica em seu comportamento. A morte anterior, percebida como indigna e sem glória, causa um trauma narcisista severo. Com a anulação do seu poder de ressurreição impedida pela costura de Machi, seu respeito anterior parece evaporar.
Ao acordar, ele abandona as máscaras que usava. Em Yorknew, ele removeu a “Textura Surpresa” de seu rosto apenas para comunicar seu desligamento dos Aranhas, falando apenas para o leitor. Após a morte, ele lança ameaças diretas sobre a família dela, demonstrando que ele não tem mais nada a esconder ou a negociar, e que seu modo de ver o mundo se tornou menos sobre o jogo e mais sobre a afirmação pura de sua vontade pós-traumática.
A relação entre Hisoka e Illumi, frequentemente descrita como um “acordo pré-nupcial” bizarro, reforça a ideia de que Hisoka é o extremo do Impulso e Caos puro (o Id na teoria psicanalítica), enquanto Illumi representa a Ordem e o Dever absolutos (o Super-Ego). Nesse espectro, Machi se encontra presa, tentando navegar a sobrevivência entre esses dois polos extremos da psique.