A natureza da vilania de kaguya otsutsuki: Força da natureza ou personagem desenvolvida em naruto?
A figura de Kaguya Otsutsuki no final de Naruto levanta debates sobre sua construção: ela é uma personagem com filosofia ou apenas um obstáculo final?
Apesar de ser a antagonista final de Naruto Shippuden, a introdução de Kaguya Otsutsuki no clímax da Grande Guerra Ninja gerou discussões sobre a profundidade de sua construção como vilã. A personagem, mãe do chakra e ancestral de todos os ninjas, parece operar em um nível conceitual, divergindo significativamente dos antagonistas anteriores, como Madara Uchiha e Obito.
Observando momentos cruciais de sua aparição, como as declarações dirigidas aos seus filhos, Hagoromo e Hamura, onde expressa repulsa e um senso de posse, é inevitável ponderar sobre a intenção narrativa por trás de sua personalidade. Enquanto Madara ou Obito dedicavam tempo a justificar suas visões de mundo, muitas vezes através de filosofias complexas sobre paz e controle, Kaguya apresenta motivações que parecem mais instintivas e primitivas.
Um Motivo Primal Versus Lógica Filosófica
A essência da oposição que Kaguya representa reside menos no embate ideológico e mais na necessidade da narrativa de erradicar a origem de um sistema. Seus objetivos parecem focados em reivindicar o que lhe pertence e silenciar aqueles que a traíram, numa dinâmica quase materna, porém distorcida e fria. Essa frieza é justificada em parte pelo seu status de Otsutsuki, uma entidade alienígena que vê o mundo de uma perspectiva distante.
Essa distância, contudo, a coloca em uma categoria diferente de vilania. Ela não tenta persuadir ou argumentar sua causa para os heróis. É um confronto direto contra uma força cósmica, um resquício de uma era divina que precisava ser neutralizado para que o ciclo ninja pudesse ser reescrito. Isso a torna menos uma pessoa com uma visão de mundo e mais um obstáculo final.
O Valor Simbólico da Origem
Mesmo que alguns fãs apontem a falta de desenvolvimento de personalidade em comparação com a longa construção de Madara, Kaguya exerce um papel simbólico fundamental na saga. Ela é a personificação literal da fonte do chakra e do sistema de poder que os protagonistas buscam transcender. Selá-la significa, metaforicamente, selar o passado de poder absoluto e abrir caminho para o futuro da verdadeira cooperação ninja, como idealizado por Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha.
A eficácia de Kaguya, portanto, reside menos na sua complexidade interpessoal e mais na sua função como marco zero da mitologia da série. A questão central permanece se essa escrita intencionalmente desumanizada a enfraqueceu como antagonista cativante ou se, de fato, funcionou perfeitamente como uma entidade alienígena e atemporal, cuja única função era ser a última barreira a ser superada.