Análise profunda de kimetsu no yaiba: A obra que redefinira o amor por animes em um jovem fã
Um relato detalhado explora como Demon Slayer, apesar de críticas ao enredo, cativou um novo espectador com sua simplicidade, trilha sonora e apelo visual.
Acompanhando a trajetória de um entusiasta que recentemente mergulhou no universo dos animes, a obra Kimetsu no Yaiba se estabeleceu como um divisor de águas, resgatando o interesse por mídias animadas que antes eram vistas apenas através das lentes de clássicos como Naruto e Dragon Ball. Para este espectador, que inicialmente equiparava animação japonesa a desenhos animados ocidentais, Kny representou a descoberta de uma complexidade e qualidade cinematográfica até então desconhecidas.
A narrativa simples e o debate sobre a profundidade do enredo
Um dos pontos mais debatidos por críticos é a suposta falta de profundidade narrativa em Kimetsu no Yaiba. No entanto, a perspectiva do fã aponta que essa visão é um exagero, mesmo reconhecendo que a história, em sua essência, é bastante direta. O enredo central acompanha Tanjiro Kamado em sua jornada para vingar sua família e transformar sua irmã, Nezuko, de volta à humanidade. É reconhecido que essa simplicidade é, em parte, um reflexo do trabalho inicial de Koyoharu Gotouge, apresentando pontos fracos ao lado de momentos brilhantes.
Existe uma clara dualidade na motivação do protagonista, que vai além da bondade pura. A vingança contra os demônios está intrinsecamente ligada ao desejo de proteger Nezuko, um elemento narrativo poderoso que sustenta a progressão da obra. Essa história básica e emocionante influenciou o espectador a buscar o material original, resultando na aquisição dos volumes do mangá, com destaque à dificuldade de encontrar as edições raras no mercado brasileiro.
Música, arcos favoritos e a repetição de padrões de personagens
A trilha sonora da série é unanimemente elogiada pelo fã, sendo citada ao lado de Shingeki no Kyojin como uma das poucas obras onde todas as aberturas são apreciadas. A faixa "No uta - Kamado Tanjiro" é apontada como a favorita pessoal, enquanto a abertura "Akeboshi" se destaca no conjunto de introduções.
Em termos de desenvolvimento de arcos, o Arco do Monte Natagumo surge como um ponto alto inicial. Contudo, ao analisar o elenco, surge uma crítica à previsibilidade no desenvolvimento dos personagens. O padrão frequentemente observado envolve a introdução, o clímax da luta, o mergulho em um passado trágico e o subsequente triunfo. Embora os personagens sejam incríveis, a falta de variedade nessa estrutura de backstory é vista como uma oportunidade perdida para Gotouge explorar trajetórias alternativas.
A polêmica sobre Mitsuri Kanroji e visuais questionáveis
A personagem Mitsuri Kanroji, a Pilar do Amor, gerou um ponto de discordância notável. Ela se enquadra no arquétipo que o observador tende a rejeitar: a figura feminina criada excessivamente para ser atraente e sexualizada. Apesar de apreciá-la como parte do elenco, expressões visuais extremas, como cenas de banho ou representações exageradas de características físicas, destoam da qualidade geral da obra.
Em contraste, personagens como Shinobu Kocho são citadas como exemplos de personagens femininas fortes e interessantes que não dependem da sensualização para serem cativantes. Tokito, o Pilar da Névoa, é mencionado como o Pilar favorito, apesar de seguir o mesmo padrão de passado profundamente trágico.
Os antagonistas e falhas no desenvolvimento dos Luas
O tratamento dado aos vilões recebeu atenção especial. Rui, a Lua Inferior Cinco, é um favorito, mas um erro de planejamento estrutural é apontado: a eliminação rápida das Luas Inferiores por Muzan. Isso teria fechado portas para o desenvolvimento de arcos adicionais e a evolução de personagens como Obanai, que aparenta ter tido seu desenvolvimento apressado na fase final da história.
Entre as Luas Superiores, com exceção de Gyokko, considerado terrível, os demais são aclamados. A ascensão de Gyutaro impressionou pela força demonstrada. Akaza, Douma e Kokushibo são vistos como grandes vilões, embora Douma seja visto como um antagonista motivado primariamente pelo mal inerente, um tipo que gera pouca empatia no espectador. Muzan, embora inspirador para artes pessoais do observador, mostrou-se decepcionante no final, especialmente por uma decisão ilógica em sua cena de morte, que contradiz sua busca secular pela conquista do sol.
A arte do mangá e o impacto transformador
A arte de Gotouge no mangá, iniciada de forma simples e considerada feia por alguns, evoluiu significativamente ao longo da série, atingindo um estilo que, embora não se compare a mestres como os de Dr. Stone ou One-Punch Man, possui uma beleza particular que inspira o fã em seus próprios desenhos.
A experiência com Kimetsu no Yaiba é resumida em uma nota 8.5 de 10. O impacto cultural é inegável, tendo sido o ponto de virada que validou a animação japonesa como uma forma de arte complexa e fascinante. Soma-se a isso a animação impecável, onde a integração de CGI é tão bem executada que se torna virtualmente imperceptível, solidificando a série como um marco pessoal de descoberta e fascínio pelo mundo dos animes.