Análise levanta novas questões sobre a narrativa do massacre do clã kurta em hunter x hunter
Uma teoria desenvolvida por fãs sugere que a Gen'ei Ryodan pode não ter sido a única responsável pela aniquilação completa do clã Kurta.
O passado sombrio do clã Kurta, culminando no infame massacre que removeu seus olhos escarlates, continua sendo um dos pontos mais cruciais e misteriosos da narrativa complexa de Hunter x Hunter. Mais recentemente, o foco tem recaído sobre a coerência dos eventos daquela noite, especialmente à luz de revelações posteriores sobre o desenvolvimento dos membros da Trupe Fantasma (Gen'ei Ryodan).
Um ponto central de debate reside na natureza dos membros da Ryodan e sua capacidade ou disposição para exercer crueldade absoluta contra vítimas indefesas como crianças. Embora a Trupe seja notória por atos de violência extrema, a ideia de que cometeram o massacre de forma integral, incluindo a tortura e morte de crianças inocentes, parece incongruente para alguns analistas da obra, principalmente considerando o contexto de personagens centrais como Sarasa, a amiga de infância de alguns membros.
A inconsistência percebida na brutalidade
Argumenta-se que a disposição da Ryodan em conflitar com Gon e Killua no arco do Leilão, por exemplo, possuía um contexto diferente. Gon e Killua estavam ativamente caçando a Trupe e representavam uma ameaça direta, tornando-os alvos válidos em um confronto de sobrevivência. Essa dinâmica contrasta com a imagem de assassinos frios atacando um grupo pacífico, despertando a necessidade de uma explicação que harmonize a participação da Trupe com sua moralidade interna peculiar.
O líder da Trupe, Chrollo Lucilfer, e outros membros, demonstraram reconhecer a autoria do ato de coleta dos olhos escarlates. No entanto, a questão que surge é se o reconhecimento da autoria histórica implica a execução de cada ato ocorrido naquela noite. Uvogin, um dos membros mais brutais, recorda-se explicitamente do evento, indicando que a Trupe cumpriu sua parte no roubo dos olhos e no confronto com os adultos Kurta.
A teoria da manipulação e do segundo agressor
Uma linha de raciocínio alternativa sugere que a Gen'ei Ryodan pode ter sido manipulada ou enganada para realizar apenas uma parte da carnificina. Nesta perspectiva, alguém teria atraído a Trupe até a vila Kurta, possivelmente incitando-os a acreditar que os membros do clã eram responsáveis por alguma transgressão contra Meteor City.
A Trupe, acreditando ter cumprido sua missão de vingança parcial e coletando os olhos que lhe interessavam, teria deixado o local. Seria então um segundo agente, ou grupo, que teria chegado depois para finalizar o massacre, garantindo que não houvesse sobreviventes e perpetrando a tortura mais sádica contra os remanescentes, incluindo as crianças.
A evidência utilizada para apoiar essa visão está na reação dos membros da Ryodan ao descobrirem que havia um sobrevivente, Kurapika. Sua surpresa e confusão indicam que eles acreditaram, assim como o resto do mundo, que a aniquilação havia sido total. O conhecimento da não-existência de outros membros indicaria que eles apenas receberam o relatório final de que não havia mais linhagem, não que eles próprios haviam realizado todos os assassinatos e torturas.
Essa reinterpretação oferece uma maneira de preservar a imagem da Trupe como extremamente perigosa e responsável pelo roubo dos olhos, mas exime-os da crueldade extrema direcionada especificamente às crianças, aliviando a tensão narrativa que alguns leitores sentem ao conciliar a personalidade de membros como Nobunaga ou Shalnark com a barbárie total. A busca por quem teria orquestrado a carnificina completa, possivelmente ligando-se a figuras como Pariston Hill ou outras maquinações políticas do universo da obra, ganha um novo palco de especulação.