A conexão cósmica entre griffith, casca e o retorno ao mundo físico em berserk
Teorias exploram uma linha de raciocínio complexa sobre o sacrifício de Casca e o nascimento do Beijo da Lua em Berserk.
A narrativa de Berserk, obra seminal do mangá, é marcada por reviravoltas sombrias e motivações profundas que continuam a gerar especulação entre os entusiastas. Um dos eventos mais traumáticos e cruciais da série envolve a ascensão final de Griffith como Femto e seu subsequente sacrifício de sua antiga tropa, incluindo Casca, durante o Eclipse.
A onisciência da Godhand e o cálculo cósmico
Elementos centrais da mitologia de Berserk sugerem que membros da Godhand, como Griffith, possuem uma percepção temporal que transcende a experiência humana linear. A crença é que esses seres podem visualizar todos os momentos, passado, presente e futuro, simultaneamente. Essa premissa levanta uma questão inquietante sobre a natureza do ato de Griffith contra Casca.
Se a onisciência é uma característica intrínseca aos Apóstolos e à própria Godhand, seria possível que Griffith soubesse, com precisão absoluta, qual caminho ofereceria a maneira mais eficiente e garantida de se manifestar pleno no plano físico da Terra?
A teoria se baseia na sequência subsequente ao Eclipse: a relação involuntária entre Guts e Casca, que resulta no nascimento da Criança da Lua. A existência dessa entidade em particular é o catalisador direto da manifestação física de Griffith como uma forma corpórea, uma necessidade para seu objetivo maior no mundo real.
O Beijo da Lua como ferramenta de manifestação
O fardo emocional e psicológico imposto a Casca, que culminou na perda total de sua sanidade e memória, pode ter sido um fator secundário, ou até mesmo previsto, em um cálculo frio para garantir o resultado desejado. O ponto focal, sob essa ótica de interpretação, não seria o sadismo inerente, mas sim a exploração de um mecanismo causal específico.
Observadores da obra destacam que a Criança da Lua existe como um elo umbilical entre o mundo astral e o plano material, um conceito complexo que envolve a fusão de dois seres humanos marcados pelo sacrifício. Se Griffith visualizou que este nascimento era o único ou o mais fácil meio de condensar sua essência divina na matéria, então o horror perpétuo infligido a Casca seria apenas um meio eficiente para um fim transcendental.
Essa linha de raciocínio leva a uma implicação ainda mais densa: o conhecimento prévio da revelação da localização da Ilha dos Elfos. A própria Criança da Lua, ao eventualmente se unir a Griffith, torna-se parte do processo que, eventualmente, pode expor o posto seguro de Puck e outros seres mágicos, cumprindo mais um dos objetivos do novo Falcão de Luz. A trama se desenrola, assim, como um xadrez cósmico onde cada passo, por mais hediondo, é uma jogada calculada com o mapa inteiro do tempo em mãos.
O legado de Kentaro Miura reside justamente nesta ambiguidade das intenções, onde o mal absoluto pode ser indistinguível de uma lógica fria e predestinada, forçando os leitores a reconsiderarem a profundidade das atrocidades cometidas pelo antagonista central da saga.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.