Análise detalhada de naruto shippuden destaca pontos fortes e polêmicas após conclusão da obra
Um espectador elogia o desenvolvimento de personagens e o world-building, mas critica a revelação final e batalhas grandiosas.
A conclusão de Naruto Shippuden, um dos animes mais influentes do gênero shonen, continua a gerar reflexões profundas sobre sua execução narrativa. Uma análise recente destacou o equilíbrio entre a aclamação geral da série e seus momentos mais controversos, oferecendo um panorama sobre o que realmente consolidou a segunda parte da jornada do ninja de Konoha.
Excelência no Desenvolvimento e Construção de Mundo
O grande trunfo apontado na experiência da animação reside na coesão do world-building e na valorização do elenco de apoio. Diferente de outras franquias gigantes, como Dragon Ball, onde a nostalgia muitas vezes ofusca análises frias, Naruto Shippuden demonstrou uma capacidade notável de dar relevância a personagens secundários. Ver ninjas coadjuvantes ganharem momentos cruciais de desenvolvimento é citado como um dos pilares da satisfação geral.
A construção do universo ninja é descrita como vasta e palpável durante a maior parte da narrativa. Mesmo com o poder de protagonistas como Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha crescendo exponencialmente, a sensação de que havia ameaças e poderes superiores persistiu, conferindo profundidade ao cenário de batalhas. Além disso, os arcos e os vilões apresentados foram, em sua maioria, considerados sólidos, apesar do uso ocasional de clichês narrativos.
A Trilha Sonora e as Coreografias de Combate
A trilha sonora original (OST) foi um ponto alto, sendo classificada como impressionante. Há menção específica ao tema de Shikamaru Nara, que se tornou sinônimo de momentos de planejamento estratégico brilhante. Em termos de ação, a força da série é vista nas lutas de escala menor e média, onde a inteligência tática e o uso de habilidades específicas, como as técnicas de substituição e clones, superavam a mera força bruta. A variedade de combate surpreendeu positivamente após um início mais focado em jutsus básicos.
Curiosamente, o relacionamento entre Naruto e Hinata Hyuga foi defendido. Muitos espectadores questionam a química ou a falta de desenvolvimento prévio do casal, mas a visão defendida é que o construto do amor incondicional de Hinata desde o início se encaixa na lógica da história, sendo um ponto fofo e coerente.
As Críticas: Kaguya e a Escalada de Poder
O ponto de maior fricção na análise recai sobre a escolha da antagonista final. Kaguya Ōtsutsuki, apesar de ter um histórico interessante explorado em flashbacks, é vista como uma adição apressada e pouco pessoal quando colocada contra o peso dramático de Madara Uchiha. Há quem argumente que a batalha final poderia ter sido melhor conduzida tendo Madara como epicentro das hostilidades, ou, no mínimo, utilizando-o como recipiente direto para o conflito final, em vez de introduzir uma entidade com desenvolvimento tardio.
Outra ressalva importante está ligada ao excesso de tragédias e à tendência à redenção dos vilões, um traço conhecido como a técnica do Talk no Jutsu. Embora muitos vilões redimidos sejam complexos, o apreço se manteve maior por antagonistas que não tiveram um caminho de volta, citando o arco de Kakuzu e Hidan como um exemplo de confronto sem a mesma necessidade de justificação das ações passadas.
Por fim, a escalada para batalhas de proporções gigantescas, envolvendo personagens lançando técnicas comparáveis à Genkidama (Esfera Genki), foi mal recebida. A preferência recai sobre o combate focado em habilidade e proximidade física, onde o impacto psicológico e a estratégia prevalecem sobre a destruição em larga escala. Ao preparar-se para o universo subsequente, visto no filme de Boruto, a expectativa é que a próxima geração retorne a um escopo narrativo mais contido e focado, lembrando os inícios da jornada original.