Análise da ausência de um pós-vida familiar para um antagonista central em kimetsu no yaiba
A jornada final de Kokushibo em Kimetsu no Yaiba levanta questionamentos sobre a necessidade de uma cena de epílogo familiar.
A conclusão da saga de Kokushibo, a Lua Superior Um em Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer), embora marcada por um desfecho épico em combate, deixou em aberto um ponto sensível para muitos espectadores e leitores da obra: a ausência de uma cena de reconhecimento ou ajuste de contas com sua vida passada e família.
O personagem, cuja trajetória é definida por uma busca incessante por força e solidão decorrente de um profundo complexo de inferioridade e inveja, alcança seu fim após ser finalmente confrontado por seus sucessores e pelo protagonista. Dada a complexidade de sua história, que envolvia laços familiares profundos e um desejo não realizado de excelência ao lado de seu irmão, a expectativa era de que houvesse algum tipo de segmento pós-morte.
O significado do destino final
Diferentemente de outros antagonistas de grande peso na narrativa, cujo destino final geralmente reserva um momento de introspecção ou um breve vislumbre do que resta de sua alma, Kokushibo parece ter tido um encerramento mais imediato e severo. A trajetória sugerida é que, devido à profundidade de sua escuridão e à negação persistente, seu caminho o levou diretamente a um estado de punição ou esquecimento.
A ausência de um encontro, mesmo que fosse para um momento de repreensão ou desabafo com os entes que ele abandonou, como seu irmão Yoriichi Tsugikuni - uma figura lendária no universo do mangá -, pode ser interpretada como o reflexo de suas escolhas finais. A decisão de permanecer um demônio até o fim, recusando-se a aceitar a mortalidade e os limites impostos pela natureza, culminou em um isolamento eterno.
A frieza do desfecho
Alguns observadores apontam que a falta de um epílogo emocional poderia ser uma escolha narrativa deliberada para enfatizar a consequência inegociável de suas ações. Seus arrependimentos eram profundos, mas ele os sufocou sob camadas de arrogância e desejo de poder demoníaco, o que, segundo essa leitura, o impedia de merecer a redenção ou mesmo o esclarecimento familiar. A transformação em Oni era tão completa que até o seu espírito pós-morte foi renegado.
O contraste com outros grandes vilões da série, que frequentemente demonstram lampejos de humanidade antes de serem dissipados, torna o final de Kokushibo particularmente seco. A determinação em eliminar qualquer laço residual que o ligasse à sua antiga vida humana parece ter sido honrada pelo encerramento da trama, mesmo que isso tenha resultado num epílogo menos satisfatório para quem buscava uma resolução completa de todos os arcos dramáticos envolvendo a linhagem Tsugikuni.
A jornada de Kokushibo, portanto, serve como um lembrete severo sobre o custo da inveja e da recusa em aceitar a própria posição no mundo, um tema central explorado ao longo de toda a obra de Koyoharu Gotōge.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.