Análise da terceira temporada de anime aponta ritmo e ausência de alívio cômico como pontos fracos
A nova fase da adaptação animada tem sido criticada por focar excessivamente em ação séria e exposição, em detrimento do humor encontrado na obra original.
A terceira temporada de uma popular adaptação de anime tem gerado debates acalorados entre os espectadores, centrados primariamente em sua direção narrativa e estrutural. Uma análise detalhada da progressão dos episódios sugere que a narrativa tem se tornado progressivamente monótona após seus capítulos iniciais, afastando-se do tom mais equilibrado presente no mangá.
O cerne da insatisfação parece residir na saturação de sequências de ação e longos blocos de exposição, com uma notável escassez de interações leves entre os personagens. Momentos que poderiam oferecer um respiro cômico ao público, característicos da obra literária original, teriam sido sacrificados na transição para o formato audiovisual.
A estrutura dos episódios sob escrutínio
Observadores notam que o episódio seis foi marcado por uma densidade expositiva, apesar de breves tentativas de humor, as quais não teriam sido bem traduzidas para a tela. O episódio seguinte, focado no ataque à superfície pelos heróis de classes inferiores, apesar de conter dinâmicas interpessoais ricas no material de origem, parece ter tido essas nuances cortadas drasticamente para otimizar o tempo de tela, resultando em personagens que parecem superficiais.
A estrutura de combate também foi questionada. Os episódios 8 e 9 apresentaram lutas sérias e intensas, como o confronto de Flashy Flash e a batalha de morte de Child Emperor contra Phoenix Man. Embora a animação destes momentos possa ser visualmente impressionante, a repetição de confrontos de alto risco sem o devido contraponto cômico ou desenvolvimento secundário é apontada como um fator que prejudica o ritmo geral da temporada.
A ausência do contraponto cômico
A ausência de personagens como Saitama em momentos cruciais, ou a adaptação fraca de interações chave, é sentida. Por exemplo, a luta de Child Emperor contra Phoenix Man, segundo análises, teria se beneficiado da inclusão humorística e da presença do protagonista, algo que a versão revisada do mangá estabeleceu para balancear o drama.
Episódios posteriores continuam a tendência de priorizar o drama de sobrevivência. O episódio dez, por exemplo, foca em combates sérios de Zombieman e no massacre de mercenários por Amai Mask, sem explorar as interações divertidas entre os mercenários e os discípulos presentes no mangá. Essa escolha é vista como uma simplificação que empobrece a tapeçaria narrativa.
Mesmo a introdução dos Cadres no episódio onze é descrita como uma sucessão de lutas dramáticas. Somente no clímax da temporada, com a aparição de Saitama e sua dinâmica com King, houve breves vislumbres do humor característico da série, embora algumas cenas memoráveis do material original, como o banho de lava ou o uso da pistola de água, não tenham sido adaptadas com o mesmo toque leve.
No geral, a percepção é que, enquanto a animação técnica pode ter alcançado altos padrões em certas lutas, a interpretação da dinâmica geral dos personagens tornou-os menos envolventes e mais rasos em comparação com a profundidade e o equilíbrio encontrados na obra original.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.