A complexa relação de ódio e admiração pelos antagonistas de kimetsu no yaiba
Uma análise profunda das motivações e dos atos dos Luas Superiores, com foco na ambivalência sentida pelos fãs em relação a Kokushibo.
A hierarquia dos demônios mais letais em Kimetsu no Yaiba, especificamente as Luas Superiores e Muzan Kibutsuji, frequentemente suscita reações intensas no público. Existe uma notável dualidade entre o reconhecimento do valor narrativo e do design desses vilões e o repúdio por suas ações atrozes dentro da trama.
O topo dessa lista de antagonistas mais detestados, apesar de frequentemente elogiado em termos de construção de personagem, é ocupado por Kokushibo, a Lua Superior Um. A aversão a Michikatsu Tsugikuni, o nome original do demônio, decorre diretamente de sua traição fundamental aos princípios humanos e à sua própria linhagem em troca de poder.
Traição e a busca incessante por força
A narrativa central que fundamenta o ódio a Kokushibo é sua delação aos caçadores de sol em uma era passada. Ao entregar a localização do corpo principal da organização a Muzan, ele facilitou o extermínio sistemático de praticantes da Respiração do Sol, um ato que garantiu a sobrevivência e o domínio do progenitor dos demônios por séculos. Esse sacrifício de todos os seus companheiros e ideais para atingir a força absoluta é visto como uma covardia moral.
Um ponto crucial de frustração reside no fato de Kokushibo ter rejeitado a morte natural aos 25 anos, preferindo a eternidade demoníaca. Contrariando o ideal de um guerreiro que busca a perfeição em vida, ele trocou a honra pela imortalidade, ganhando poder ilimitado de regeneração, aprimoramento físico exponencial e uma Arte Demoníaca única. Muitos analisam que, com 500 anos de treinamento sob essas condições quase invencíveis, ele deveria ter superado o nível de seu irmão, Yoriichi, mas falhou em derrotar quatro humanos, dois dos quais apresentavam limitações físicas significativas.
O peso das perdas e a consciência demoníaca
A dor causada por suas ações ecoa intensamente, especialmente lembrando-se de perdas trágicas como o falecimento de Genya Shinazugawa e a interrupção do potencial de Muichiro Tokito. Esses momentos reforçam a percepção de que o egoísmo de Michikatsu custou vidas preciosas.
O que distingue Kokushibo de muitos outros demônios, e amplifica o sentimento negativo, é sua plena consciência. Diferente de demônios que foram mentalmente corrompidos ou manipulados cegamente por Muzan, Kokushibo, assim como Kaigaku e o próprio Muzan, reverteu-se em uma aberração mortal mantendo memória e lucidez sobre suas escolhas. Ele escolheu ser um demônio, o que o coloca em um patamar moral mais baixo na percepção de alguns observadores, que veem em Hakuji (Doma) um exemplo de redenção e resistência, pois este último optou pela morte após recuperar a razão.
A hierarquia das aversões
A profundidade do ressentimento manifesta-se em um ranking pessoal onde as Luas Superiores são classificadas por nível de detestação. Logo após Kokushibo, figuras como Hantengu (Lua Superior Cinco) e Gyokko (Lua Superior Cinco) seguem, evidenciando que a crueldade calculada e a traição pesam mais do que a mera sede de sangue de outros demônios, como Gyuutaro e Daki, que aparecem na parte inferior da lista. Akaza, apesar de ser admirado por respeitar a força e exibir traços humanos como o respeito pelas mulheres, ainda sofre críticas severas, especialmente por ser o responsável pela morte de Rengoku.
Essa constante oscilação entre admirar a habilidade de luta e condenar a moralidade dos antagonistas define grande parte da experiência de acompanhar histórias complexas de fantasia como Kimetsu no Yaiba.