Análise comparativa das trilhas sonoras de berserk: O legado de susumu hirasawa versus a abordagem de shiro sagisu
A música de Berserk é um ponto central de debate. Comparações entre as obras de Hirasawa e Sagisu levantam questões sobre autenticidade temática.
A trilha sonora de uma obra audiovisual é fundamental para estabelecer seu tom e imersão, e poucas franquias sentem esse peso tanto quanto Berserk. A música é crucial para capturar a escuridão, a brutalidade e a melancolia inerentes ao mangá de Kentaro Miura.
Recentemente, observou-se um foco na divergência estilística entre os trabalhos musicais de dois compositores notáveis ligados às adaptações animadas da saga: Susumu Hirasawa, responsável pela trilha icônica da série de 1997, e Shiro Sagisu, que compôs a música para a trilogia cinematográfica Berserk: O Ouro.
A Assinatura Inconfundível de Hirasawa
Para muitos fãs devotados, a trilha sonora da série de 1997, criada por Susumu Hirasawa, é considerada o padrão ouro da sonoridade de Berserk. Faixas como Forces e BERSERK - Main Theme são instantaneamente reconhecíveis e evocam a atmosfera da Era das Trevas e as batalhas épicas do protagonista Guts.
A genialidade de Hirasawa reside em sua maestria com sons eletrônicos inovadores misturados a arranjos orquestrais dramáticos. Sua música não apenas acompanha a ação, mas amplifica o sentimento de fatalidade e a resiliência humana diante do sofrimento extremo. As composições parecem nascer da própria essência do mundo de Berserk, tornando-se sinônimo da narrativa.
A Abordagem Cinematográfica de Sagisu
Por outro lado, Shiro Sagisu, célebre por seu trabalho em séries como Neon Genesis Evangelion, trouxe uma roupagem diferente para a trilogia de filmes lançada em meados dos anos 2000. As composições de Sagisu são inegavelmente de alta qualidade técnica e possuem um poder dramático expressivo por si só.
Contudo, o ponto levantado por observadores é que, embora as músicas de Sagisu sejam excelentes em um contexto puramente cinematográfico e orquestral, elas podem falhar em capturar a alma específica de Berserk. A crítica sutil aponta que, ao ouvir certas faixas, a associação imediata com os temas centrais da obra premium de fantasia sombria pode ser tênue, sugerindo uma distância estilística em relação à intensidade visceral esperada.
O Conceito de Fidelidade Sonora
Este contraste ressalta um debate mais amplo sobre a adaptação musical: deve a trilha sonora ser puramente funcional e adaptada ao meio de exibição (cinema) ou deve servir como um pilar temático, ecoando o material original (o mangá) com fidelidade quase absoluta?
Enquanto a música de Hirasawa age como uma extensão orgânica do universo criado por Miura, a obra de Sagisu funciona mais como um potente score hollywoodiano, que eleva as cenas, mas talvez não ressoe com a identidade única que Hirasawa conseguiu definir. A escolha, em última análise, influencia a percepção do espectador sobre a representação sonora de um dos contos de fantasia mais sombrios já escritos.