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Análise visual: Por que os mangakás dos "big three" japoneses usam menos tons de tela

A técnica de aplicação de tramas gráficas em mangás clássicos como Bleach, Naruto e One Piece é notavelmente mais contida, levantando questões sobre a evolução estética da indústria.

Analista de Mangá Shounen
11/01/2026 às 18:25
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Um interessante aspecto da estética visual de mangás de grande sucesso, frequentemente denominados o "big three" do início dos anos 2000, reside na moderação do uso de screen tones, ou tramas gráficas. Enquanto muitos artistas priorizam a densidade preta e branca para criar impacto, os criadores por trás de obras como Tokyo Ghoul e outras séries contemporâneas tendem a empregar essas texturas com maior frequência.

A distinção no emprego das tramas não é meramente estética; ela reflete escolhas narrativas profundas e a evolução das ferramentas de produção de mangá. Os tons de tela são papel pré-impresso com padrões de pontos (retículas) utilizados para adicionar textura, sombreamento e profundidade a uma arte predominantemente em preto e branco. Em mangás mais antigos, a ênfase recaia frequentemente sobre o contraste extremo entre o papel branco virgem e a tinta preta sólida.

O peso do contraste e a eficácia narrativa

Autores como Tite Kubo, criador de Bleach, e outros contemporâneos do Shonen Jump daquela era, parecem ter optado por uma abordagem mais esparsa. Essa contenção visual serve a múltiplos propósitos. Em primeiro lugar, ela maximiza a força visual de momentos cruciais. Quando uma cena exige uma pausa ou um efeito dramático intenso, a ausência de tramas complexas permite que o impacto do preto puro seja magnificado, funcionando quase como um holofote visual.

Além disso, a simplificação da textura gráfica pode otimizar a velocidade da produção. O processo de aplicação manual das tramas era notoriamente trabalhoso. Embora a digitalização tenha tornado o processo mais ágil, a manutenção de um estilo visual mais "limpo", focado em linhas de contorno e áreas preenchidas, pode ser uma estratégia para garantir a pontualidade das entregas semanais ou mensais, um desafio constante na indústria editorial japonesa.

A ascensão da complexidade digital

Em contrapartida, artistas mais recentes, muitas vezes criadores de obras de terror, drama psicológico ou ficção científica mais densa, exploram a riqueza textural oferecida pelas tramas digitais. O uso abundante de padrões sutis pode simular ambientes nebulosos, transmitir a sensação de decadência ou adicionar uma camada de complexidade visual que reflete a densidade temática da história. O leitor moderno, habituado a visuais mais detalhados em outras mídias, frequentemente responde bem a essa complexidade atmosférica.

A diferença no uso dos tons de tela, portanto, aponta para uma mudança fundamental na linguagem visual do mangá ao longo das décadas. É um diálogo contínuo entre a necessidade prática da produção de mangá em série e a busca incessante por novas formas de expressar emoção e ambientação unicamente através do preto e branco.

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Tags:

#Mangá #Técnica de Desenho #Mangakás #Big Three #Tons de Tela

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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