A ascensão de femto: O destino de griffith era inevitável na narrativa de berserk?
A trajetória de Griffith em Berserk levanta questões profundas sobre causalidade, destino e o poder destrutivo de um sonho.
A complexa saga de Berserk, criada por Kentaro Miura, frequentemente mergulha em temas filosóficos profundos, sendo um dos mais debatidos a natureza do destino e da causalidade. No cerne dessa discussão está a transformação radical de Griffith em Femto, a entidade demoníaca que se torna o quinto membro da Mão de Deus. A questão central que permeia a narrativa é se este desfecho catastrófico era uma consequência predeterminada de seu caráter ou se dependia de eventos específicos.
A estrutura intrínseca da história sugere fortemente a influência do 'fluxo da causalidade', um conceito fundamental que dita o curso dos acontecimentos no universo da obra. A existência de objetos imbuídos de poder místico, como o Behelit, que invariavelmente encontra seu 'verdadeiro mestre' em momentos de extremo sofrimento, reforça a ideia de que certas tragédias estão escritas nas estrelas.
O ponto de virada: a partida de Guts
Factualmente, o evento catalisador para a ascensão de Griffith foi a sua queda em desgraça após a deserção de Guts do Bando do Falcão. Este momento é universalmente reconhecido como o ponto de inflexão da série. A subsequente tortura e degradação de Griffith, culminando no Eclipse, serviram como o sacrifício necessário para que ele alcançasse seu status divino.
No entanto, a análise mais aprofundada questiona se o Eclipse, e consequentemente a transformação em Femto, ocorreria mesmo se Guts jamais tivesse partido. Analistas da mitologia de Berserk apontam que a ambição de Griffith era ilimitada. Mesmo com Guts ao seu lado, o líder exibia um desejo insaciável por poder e reconhecimento, estando disposto a cruzar barreiras morais convencionais para atingir seu sonho maior: possuir seu próprio reino.
A inevitabilidade da ambição
Griffith, mesmo antes da traição, demonstrava uma frieza calculista e uma disposição para utilizar pessoas como degraus em sua escada ao topo. Ele nunca parecia verdadeiramente saciado com a glória militar que alcançava ao lado do Bando do Falcão. Isso sugere que, se a ausência de Guts não tivesse desencadeado o sacrifício imediato, outro evento extremo, impulsionado por sua megalomania, poderia ter forçado uma convocação alternativa da Mão de Deus.
A personificação da ideia de destino em Berserk, muitas vezes personificada pelo Cavaleiro da Esqueleto, indica que certos caminhos, embora tortuosos, eram o destino final para aqueles marcados por forças cósmicas como o Espírito do Mal. A transformação em Femto, portanto, não seria apenas uma reação à dor, mas o ápice lógico de sua jornada obsessiva.
O debate se concentra em se a causalidade é rígida, exigindo o sacrifício do Bando do Falcão, ou se o fator determinante foi a reação de Griffith à perda de Guts, transformando a dor momentânea no combustível para um poder eterno. O mergulho na escuridão de Griffith parece ser um processo que estava em andamento, independentemente de qual evento específico atuasse como a ignição final.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.