A ausência de referências religiosas no universo de naruto e boruto: Uma análise de adaptações de jogos

A representação da religião no universo ninja de Naruto e Boruto é um tópico que gera questionamentos ao analisar as adaptações para videogames.

Analista de Anime Japonês
Analista de Anime Japonês

31/01/2026 às 20:22

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A ausência de referências religiosas no universo de naruto e boruto: Uma análise de adaptações de jogos

A franquia Naruto, construída sobre as bases de filosofia, crenças e tradições milenares, frequentemente levanta discussões sobre a aplicação de sistemas de fé ou religião dentro de sua narrativa. Observadores atentos, especialmente aqueles imersos na experiência de jogos como Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 e suas expansões, notaram uma notável ausência de rituais ou cultos explícitos, gerando curiosidade sobre o tratamento dado a este tema em mídias derivadas.

O universo criado por Masashi Kishimoto é vasto, cobrindo conflitos geopolíticos, técnicas místicas e laços sociais profundos. Contudo, enquanto elementos como o Jashinismo, associado ao personagem Hidan, oferecem um vislumbre de uma crença estruturada focada em sacrifício e imortalidade, a maioria das aldeias, incluindo Konohagakure, opera em um vácuo espiritual que se assemelha mais a uma estrutura estatal secularizada.

O espaço da espiritualidade no mundo ninja

Filosofias orientais, como o budismo e o xintoísmo, que influenciam profundamente a cultura japonesa, são fontes implícitas de conceitos como ciclo de sofrimento e reencarnação (evidente no conceito de vida após a morte e no uso das invocações). No entanto, a manifestação direta de templos, orações formais ou dogmas religiosos amplamente aceitos pelas grandes nações shinobis parece inexistente ou minimizada.

A análise se torna mais aguda ao focar nas adaptações interativas. Em títulos que visam abranger a totalidade da jornada dos personagens, como os jogos da série Storm, o foco narrativo é predominantemente voltado para o treinamento ninja, os laços de amizade e as guerras entre vilarejos. Elementos que possam ser interpretados como doutrinas religiosas estabelecidas tendem a ser simplificados ou omitidos em prol da ação e da progressão da história principal.

Isso sugere uma decisão criativa de manter o foco no aspecto militar e no desenvolvimento interpessoal dos protagonistas. Naruto Uzumaki e Boruto Uzumaki, por exemplo, são movidos por ambições pessoais e responsabilidades comunitárias, e não por um chamado divino ou obediência a uma hierarquia espiritual estabelecida. Mesmo a mitologia dos Bijū e dos Seis Caminhos, embora carregada de poder quase sobrenatural, é apresentada mais como uma ciência ou um legado histórico do que como um sistema de adoração formalmente reconhecido pela sociedade ninja em geral.

A adaptação para jogos e a simplificação de temas

Jogos baseados em animes e mangás frequentemente enfrentam o desafio de traduzir a complexidade temática de suas fontes para uma experiência jogável e acessível. No caso de Naruto e Boruto, o uso de elementos religiosos pode sobrecarregar a narrativa focada em combate e superação de desafios físicos e emocionais. A inclusão de um sistema religioso completo exigiria um aprofundamento narrativo que, muitas vezes, é preterido em favor da jogabilidade.

A menção a práticas análogas a rituais, como a veneração a figuras lendárias ou a utilização de talismãs, existe, mas raramente é catalogada ou tratada sob a ótica estrita da religião. O universo ninja parece operar sob um pragmatismo onde a força e a técnica são as verdadeiras moedas de poder e respeito, relegando sistemas de crença dogmática para o fundo do cenário, mesmo quando explorados de forma pontual por vilões ou personagens secundários.

Analista de Anime Japonês

Analista de Anime Japonês

Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.