Análise hipotética: Como berserk seria visto se tivesse terminado no volume 21
Exploramos o impacto cultural e narrativo que Berserk teria se Kentaro Miura tivesse interrompido a obra no volume 21.
Um cenário especulativo no universo dos mangás levanta uma questão fascinante sobre o legado de Berserk: como a obra-prima de Kentaro Miura seria avaliada hoje se a narrativa tivesse sido abruptamente interrompida após a conclusão do volume 21?
Esta interrupção, imaginada como uma pausa interminável similar a outros projetos notáveis como Vagabond, deixaria a história de Guts e Griffith em um ponto crucial, mas sem a resolução completa dos arcos mais recentes. O volume 21, Convoy of Destiny, encerra a longa e intensa saga da Arca das Idades, marcando o fim de uma fase da jornada e o estabelecimento de novos rumos, logo antes da introdução de elementos centrais da trama que viriam a seguir.
O Peso do Arco da Ilha dos Elfos
Ao parar no volume 21, a obra perderia todo o desenvolvimento subsequente, incluindo a introdução e o aprofundamento de personagens chave como Schierke, e toda a exploração do mundo sobrenatural revelado após o eclipse. A parte mais sombria da jornada de Guts, sua luta contra as forças do mal e a busca por vingança contra Griffith (que estaria em estágio inicial de sua nova forma), ficaria sem desfecho dramático.
Se a série fosse vista apenas até este ponto, ela seria lembrada essencialmente pelo seu arco inicial, o Golden Age, e a subsequente saga de vingança até a chegada à ilha. O foco principal estaria na brutalidade do desastre do eclipse e na construção de Guts como o Espadachim Negro. A complexidade moral e as implicações cósmicas que a história adquiriu nas fases posteriores seriam, em grande parte, ausentes da percepção geral.
Um Clássico Inacabado de Impacto Brutal
Apesar da incompletude, a obra ainda seria reverenciada como um marco do mangá, especialmente pela sua arte revolucionária e pela coragem em retratar temas adultos e violentos. A influência visual de Miura, que inspirou gerações de artistas e títulos como Dark Souls, permaneceria intacta.
No entanto, o debate sobre o significado final da obra e a natureza do sacrifício seriam deixados em aberto. O que acontece com Casca, qual o destino final de Guts e a verdadeira extensão do plano de Griffith nunca seriam confirmados. A obra se consolidaria como um épico de fantasia sombria, um testemunho do poder da arte, paralisado antes de atingir sua plenitude temática.
Em essência, Berserk, até o volume 21, já possuía os elementos para ser considerado um panteão do mangá. Contudo, o legado final seria o de uma tragédia narrada com maestria, mas que deixou o público com um silêncio ensurdecedor sobre seu clímax esperado, um testamento à ambição de seu criador que, hipoteticamente, não pôde ser totalmente realizada.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.