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A busca por narrativas de horror extremo: O desafio de superar a escuridão de mangás como berserk

Mangaistas ambiciosos exploram os limites da obra de Kentaro Miura, questionando o que ainda pode ser explorado no horror sombrio.

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Analista de Mangá Shounen

20/01/2026 às 09:09

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A busca por narrativas de horror extremo: O desafio de superar a escuridão de mangás como berserk

A célebre obra Berserk, de Kentaro Miura, estabeleceu um patamar quase inatingível no que tange ao horror sombrio e à fantasia épica em mangás. Caracterizada por sua violência gráfica, temas filosóficos complexos sobre o destino e a natureza humana, e um universo repleto de criaturas demoníacas e sofrimento incessante, a série se tornou um referencial para criadores que buscam explorar os cantos mais profundos da escuridão narrativa.

A própria ambição de superar essa obra maciça gera um debate contínuo sobre os limites da narrativa gráfica de horror. Criar um mangá que dialogue com a intensidade de eventos como o Eclipse, mas que ainda apresente uma camada adicional de desespero ou crueldade temática, exige mais do que apenas violência explícita. Requer uma arquitetura narrativa que justifique essa escalada de escuridão sem cair no mero choque barato.

A anatomia da escuridão na ficção

Para se aprofundar além do que Berserk já explorou, um novo autor precisa analisar os pilares que sustentam o peso emocional da obra de Miura. Isso inclui não só a representação visual do corpo e do sofrimento, mas também a manipulação psicológica dos personagens. A verdadeira escuridão, muitas vezes, reside na perda da esperança e na inevitabilidade do ciclo de dor, temas centrais no universo de Guts.

Interpretar o horror em níveis mais profundos pode significar focar em elementos que ressoam com ansiedades contemporâneas, ou desconstruir conceitos de moralidade de maneiras ainda mais radicais. O desafio reside em manter a coerência interna da história; a escuridão deve servir a um propósito temático, e não ser apenas um adereço estético.

O caminho para o extremo

A aspiração de criar um mangá mais denso exige um mergulho em temas tabus ou a exploração de jornadas de personagens que chegam a pontos de não retorno antes mesmo do início aparente da trama. Enquanto a fantasia medieval de Miura utilizava o sobrenatural como catalisador para o horror existencial, narrativas subsequentes poderiam explorar a natureza humana em cenários mais mundanos ou futuristas, intensificando o sentimento de desamparo contra forças que parecem igualmente imbatíveis.

A influência de mestres do horror, como H.P. Lovecraft na criação de entidades cósmicas aterrorizantes, ou técnicas psicológicas presentes em obras como Neon Genesis Evangelion no colapso mental, podem ser ferramentas úteis. Entretanto, qualquer inovação precisa ser filtrada pela originalidade do traço e do roteiro para que a obra ressoe com a gravidade exigida para rivalizar com a estatura de Berserk no panteão do mangá seinen.

A busca por um novo ápice na representação do terror na nona arte permanece um horizonte tentador e, ao mesmo tempo, intimidador para a nova geração de contadores de histórias.

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Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.