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Cosplay de casca de berserk: A discussão sobre a representação e identidade no hobby

A paixão por personagens icônicas como Casca, do mangá Berserk, levanta debates complexos sobre a apropriação cultural e a identidade racial no mundo do cosplay.

Analista de Mangá Shounen
12/02/2026 às 01:19
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A personagem Casca, figura central e profundamente complexa da aclamada série de fantasia sombria Berserk, de Kentaro Miura, frequentemente inspira entusiastas do universo pop a recriar sua estética icônica através do cosplay. No entanto, a escolha por personagens cujas características físicas diferem da aparência do cosplayer, especialmente em termos de etnia, coloca em pauta discussões importantes sobre a natureza da representação no hobby.

Um foco particular recai sobre a possibilidade de indivíduos brancos se vestirem como Casca, uma guerreira cuja aparência é, historicamente, retratada como negra no material original. Para muitos admiradores, o cosplay é uma forma de homenagem genuína, uma celebração da admiração pela força, resiliência e trajetória dramática da personagem. A identificação primária recai sobre a essência do personagem, suas habilidades e sua importância narrativa dentro do universo de Berserk.

O Limite entre Homenagem e Apropriação

A prática do cosplay, em sua essência, envolve a imersão e a homenagem artística. Contudo, o debate moderno exige um olhar mais atento sobre quando a recriação pode cruzar a linha para a apropriação cultural ou o blackface, mesmo que não intencional. A questão não reside apenas em vestir a roupa, mas na forma como a etnia da personagem é tratada.

No caso de Casca, que possui uma identidade racial estabelecida na obra, a decisão de um cosplayer branco de representá-la pode gerar desconforto. Há argumentos defendendo que, ao optar por alterar sua própria aparência para imitar uma etnia diferente da sua, o cosplayer pode inadvertidamente marginalizar a experiência de pessoas negras que se identificam com a personagem, ou pior, evocar imagens históricas problemáticas relacionadas a performances raciais.

Por outro lado, defensores de uma abordagem mais livre argumentam que o cosplay, sendo uma forma de arte performática, deve permitir a liberdade de interpretação. Eles sugerem que o foco deve estar na habilidade técnica, no amor pela obra e na captura do espírito da personagem, e não rigidamente na fidelidade étnica, especialmente quando a intenção é puramente celebratória.

A Narrativa da Personagem em Foco

Casca é muito mais do que sua aparência física. Ela é lembrada como a única mulher do Bando do Falcão, uma espadachim habilidosa e uma presença fundamental na vida de Guts. Sua jornada, marcada por traumas profundos e uma luta constante pela preservação de sua sanidade, ressoa profundamente com o público. Muitos se sentem atraídos por esses traços de caráter, que transcendem a cor da pele.

A discussão em torno desse tipo de representação reflete uma evolução na percepção pública sobre o que significa ser fã em uma sociedade cada vez mais consciente das dinâmicas de poder e representação. As convenções de cultura pop continuam sendo um palco para essas trocas, onde a paixão pela fantasia encontra os dilemas da realidade social. A arte de se fantasiar, nesse contexto, torna-se um espelho complexo das expectativas da comunidade em relação à inclusão e ao respeito pela identidade das criações que tanto se admira.

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Tags:

#Berserk #Casca #Cosplay #Iniciante #Representação

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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