Análise crítica aponta falhas no arco de garou em one punch man e compara com o impacto da luta contra boros
Uma perspectiva analítica detalha problemas de continuidade e desenvolvimento de personagem na saga de Garou, contrastando com a perfeição estrutural da batalha contra Boros.
A saga mais recente de One Punch Man, focada na ascensão e queda de Garou, tem gerado discussões acaloradas sobre a qualidade narrativa da obra. Ao analisar os desdobramentos recentes, críticos apontam que, embora One Punch Man seja reconhecido por seu protagonista exageradamente poderoso, a condução do arco de Garou apresentou inconsistências que prejudicaram a imersão e a construção de mundo estabelecida anteriormente.
Questões estruturais no desenvolvimento da trama
Um dos pontos mais controversos, segundo a análise detida, reside na ambientação da batalha clímax. O confronto levado ao espaço sideral, embora uma tentativa de escalar o nível de poder e proteger a Terra, foi considerado um recurso excessivamente improvável, quebrando a suspensão da descrença. Mesmo considerando a presença de monstros e seres alienígenas na série, a logística deste cenário foi vista como forçada, desviando o foco da intensidade do combate.
Adicionalmente, o uso do recurso de time rewind, ou retrocesso temporal, é apontado como uma solução narrativa preguiçosa para amarrar as pontas soltas. Esse dispositivo, ao apagar completamente o desenvolvimento alcançado, anulou o arco de redenção que estava sendo construído para Garou. A crítica sugere que, após elevar a situação a um nível de dano cósmico generalizado, o autor recorreu a um reset completo, tornando o cenário espacial anterior quase um paliativo para uma dificuldade narrativa que parecia intransponível.
A redenção perdida de Garou
O tratamento dado ao vilão Garou também foi motivo de decepção. O personagem, dotado de um arco de potencial dramático significativo, foi reduzido ao clichê de um antagonista quebrando sob a influência de uma criança, culminando em um final que muitos consideraram sem impacto. A forma como sua potencial evolução moral foi desfeita, trocando um Garou em busca de redenção por um ‘Garou maligno’ que, após ser derrotado, é magicamente perdoado pelos seus atos destrutivos, deixou um gosto amargo.
Em contrapartida, a luta contra Boros, um dos primeiros grandes confrontos da série, é resgatada como um padrão de excelência narrativa. A batalha contra Boros foi elogiada por seu equilíbrio de escala, ambientação contida (a bordo da nave espacial), e um final digno para o vilão. Enquanto Boros, mesmo apocalíptico, foi morto de forma conclusiva, Garou, tido como responsável por infligir um tipo de ‘câncer espacial’ em diversos heróis, foi deixado em liberdade após sua redenção forçada e incompleta.
Alguns elementos de poder de Saitama também entraram na mira da crítica, como feitos considerados exagerados ou piadas de efeito, como espirros e flatulências usados em momentos cruciais de lutas sérias. Tais momentos chocam pela dissonância com a seriedade do combate, em oposição a demonstrações de poder mais bem integradas, como o primeiro serious punch contra Boros, que manteve a empolgação sem parecer infantilizado.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.