Crítica aponta que o foco em dōjutsu pode ter prejudicado o equilíbrio narrativo de naruto
Análise sugere que a dependência crescente de técnicas oculares, como o Mangekyō Sharingan, simplificou os conflitos e diminuiu a ênfase em outras jutsus.
Um olhar crítico sobre a progressão da narrativa de Naruto aponta que a centralização do poder em torno dos olhos especiais, conhecidos como dōjutsu, pode ter desequilibrado a balança do universo ninja criado por Masashi Kishimoto. A percepção é que, à medida que a história avançava, houve um claro pivô em direção a essas habilidades hereditárias, especialmente as ligadas ao clã Uchiha, em detrimento da diversidade de técnicas de combate que inicialmente caracterizavam o mundo shinobi.
Originalmente, a série apresentava um leque vasto de aplicações de chakra, onde a criatividade e a combinação de jutsus elementais eram cruciais. Os dōjutsu, como o Byakugan e o Sharingan, eram apresentados como ferramentas raras e poderosas, mas não eram a solução definitiva para todos os confrontos.
A ascensão incontestável da linhagem ocular
O ponto de inflexão, segundo essa perspectiva, reside na forma como o Mangekyō Sharingan foi elevado ao status de habilidade suprema. Quando poderes como o Amaterasu, o Susanoo e outras variações se tornaram os fatores decisivos em batalhas de grande escala, o foco narrativo se estreitou. Isso levou à sensação de que, sem um dōjutsu avançado ou um Sangue Limite hereditário equivalente, o desenvolvimento do shinobi comum se tornava irrelevante no nível de ameaça apresentado.
Essa concentração de poder em algumas linhagens específicas é vista como um caminho que pavimentou o caminho para confrontos de escala gigantesca, remetendo a lutas de proporções quase cósmicas. A ideia é que o desenrolar da trama privilegiou espetáculos visuais e a necessidade de atingir picos de poder destrutivo, o que pode ter sacrificado a profundidade estratégica associada a um sistema de jutsus mais amplo.
O impacto na diversidade de combate
A crítica sugere que a história teria se beneficiado de manter os dōjutsu em um patamar de raridade, forçando os ninjas a dependerem mais de sua inteligência, treinamento físico e domínio das cinco naturezas de chakra. A dependência crescente do dōjutsu, particularmente após o arco da Quarta Guerra Mundial Shinobi, pode ter simplificado a complexidade do combate, transformando o que era uma arte marcial detalhada em um duelo de 'quem tem o olho mais forte'.
A busca por justificar o poder extremo dos Uchiha, tornando-os centrais para a resolução de crises globais, é interpretada como uma escolha que, embora dramaticamente eficaz em curto prazo, limitou as possibilidades criativas para os personagens sem esses dons oculares. O universo de Naruto, conhecido por sua profundidade em técnicas diversas, parece ter encontrado um atalho visualmente impressionante, mas talvez narrativamente redutor, ao priorizar a linhagem sobre o esforço universal.