Análise das críticas ao uso de haki e sua função na evolução narrativa de one piece
A eficácia do Haki como recurso narrativo central em One Piece gera debates sobre seu impacto na criatividade das lutas.
A trajetória de One Piece, uma das obras de mangá mais influentes da história, é marcada por uma base de fãs extremamente devota. Contudo, mesmo entre os admiradores fervorosos, a evolução da escrita de Eiichiro Oda, especialmente após o hiato de dois anos, levanta pontos de discussão cruciais sobre a mecânica de poder estabelecida no universo.
Um dos focos centrais dessas análises recai sobre a introdução e o desenvolvimento do Haki. Inicialmente concebido como um elemento fundamental para nivelar as forças entre usuários de Akuma no Mi (Frutas do Diabo) e o restante do elenco, o sistema de poder parece ter se expandido de maneira a se tornar a solução universal para desafios crescentes.
A onipresença do Haki
A premissa levantada é que o Haki, que engloba a capacidade de revestir ataques (Busoshoku), antecipar movimentos (Kenbunshoku) e o poder imperial (Haoshoku), perdeu sua função original de balanceamento. Em vez de ser uma ferramenta estratégica que complementava outras habilidades, ele se transformou no principal, senão único, divisor de águas em confrontos de alto nível.
Seja para anular os efeitos regenerativos de um Logia, para superar a defesa de um oponente com uma Akuma no Mi poderosa, ou simplesmente para garantir uma vantagem decisiva, a escalada no uso do Haki se tornou um padrão recorrente no enredo. Isso suscita questionamentos sobre como essa centralização afeta a complexidade de outras técnicas e a criatividade coreográfica.
O contraste com as eras anteriores
Muitos apontam que as batalhas ocorridas na primeira metade da jornada dos Chapéus de Palha, antes do treinamento de dois anos, apresentavam uma maior diversidade tática. Nesses momentos, a vitória muitas vezes dependia da exploração astuta de fraquezas específicas das Akuma no Mi ou da combinação inteligente de habilidades únicas de cada membro da tripulação. A Coreografia, baseada em engenhosidade, era um ponto alto.
Com a introdução das variações avançadas de Haki, como o Haki do Rei que pode ser aplicado em ataques físicos ou o Haki da Observação avançado que permite prever o futuro de curto prazo, as lutas adquiriram um novo brilho visual e um aumento de poder bruto. No entanto, a crítica reside no fato de que, para vencer um inimigo forte, a resposta parece ser sempre investir mais em uma das três formas de Haki existentes, padronizando a resolução de conflitos complexos.
A discussão não implica em rejeitar o sistema de Haki, que é crucial para a mitologia de One Piece, conforme explicado em diversas fontes sobre a obra de Eiichiro Oda. Em vez disso, é um pedido por um retorno a uma variedade maior de soluções narrativas, garantindo que a diversidade de poderes apresentada ao longo de décadas continue a ser explorada com a mesma profundidade tática vista nos arcos iniciais da aventura.