A dependência excessiva de mangás representa um risco de longo prazo para a indústria de animes, alerta presidente do studio chizu
Presidente do Studio Chizu levanta sérias preocupações sobre a sustentabilidade da produção de animes dependente de adaptações de mangás.
20/01/2026 às 09:06
A estrutura atual da indústria de animação japonesa, que demonstra uma forte inclinação para a adaptação serializada de obras de mangá, foi apontada como uma vulnerabilidade significativa para o futuro do setor. Uma autoridade proeminente no mundo da animação, o presidente do conceituado Studio Chizu, fez um alerta contundente sobre os perigos inerentes a essa dependência crônica.
A premissa central da preocupação reside na saturação do mercado. Com a crescente demanda global por conteúdo de anime, há uma pressão constante para encontrar material fonte já estabelecido e comprovadamente popular. O mangá oferece esse caminho seguro, garantindo um público base pré-existente, minimizando o risco financeiro de se investir em projetos originais.
O custo da segurança criativa
Embora a adaptação de mangás populares como One Piece ou Jujutsu Kaisen garanta sucesso imediato de bilheteria e streaming, a dependência excessiva desse modelo sufoca a inovação e a criação de novas propriedades intelectuais. O ciclo vicioso se estabelece: estúdios investem onde o risco é baixo, o que diminui a oportunidade para novas histórias surgirem independentemente dos quadrinhos.
Para manter o ritmo de produção exigido pelo mercado internacional, que exige temporadas anuais e filmes frequentes, os estúdios acabam por priorizar obras que já possuem a narrativa mapeada. Isso cria um desequilíbrio na cadeia de valor, onde criadores de mangá se tornam os únicos produtores de histórias originais viáveis para a televisão, forçando a produção de anime a operar majoritariamente como um veículo de promoção para o material impresso.
A necessidade de conteúdo original
A sustentabilidade a longo prazo, segundo a análise, depende da capacidade da indústria de animação de gerar seus próprios sucessos originais, semelhantes ao modelo que impulsionou grandes nomes no passado, como os filmes originais do Studio Ghibli ou títulos icônicos que não possuíam um mangá prévio bem estabelecido. Quando a fonte seca, ou quando as editoras decidem restringir o licenciamento, a capacidade produtiva dos estúdios de anime pode ser severamente comprometida.
Essa reflexão sugere que a dependência atual é uma estratégia de curto prazo, focada em capitalizar tendências existentes. O desafio agora é como equilibrar a segurança financeira proporcionada pelas adaptações com a necessidade vital de investir em talentos e conceitos inéditos, garantindo que o futuro da animação japonesa não seja apenas um eterno eco do que foi publicado em papel décadas antes. A pressão por rentabilidade imediata, portanto, ameaça a própria diversidade criativa que tornou o anime um fenômeno cultural global.
Analista de Webtoons e Direitos Autorais
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