O desfecho sombrio de berserk: A fascinante ideia de um final sem vitória para guts
Uma perspectiva radical sobre o final de berserk propõe que guts nao derrote griffith, explorando o ápice do drama trágico.
A discussão em torno da conclusão épica de Berserk, a obra-prima de Kentaro Miura, frequentemente se concentra na eventual e esperada vingança de Guts contra Griffith. Contudo, uma perspectiva radical tem ganhado atenção, sugerindo que a verdadeira força narrativa da saga residiria em um desfecho onde Guts falha e nunca consegue derrotar seu arqui-inimigo.
Essa linha de pensamento argumenta que a derrota final de Griffith, embora satisfatória em termos de justiça poética, poderia diluir o impacto brutal e existencial que permeia toda a história. A ideia é que permitir que Griffith, agora Femto, triunfe permanentemente representaria o triunfo absoluto da tragédia e do sacrifício, elevando Berserk a um patamar ainda mais elevado na literatura fantástica.
A consagração do destino versus a luta incessante
O cerne da obra sempre foi a luta incansável de Guts contra as forças do destino e o mal cósmico, representado pelo Eclipse. A jornada do Espadachim Negro é definida por perdas irreparáveis e pela resiliência diante do sofrimento inimaginável. Se Guts, após anos de dor e batalha, ainda assim sucumbisse ao seu destino ou fosse incapaz de superar Griffith, o desfecho seria o mais sombrio e, para alguns, o mais badass possível.
Isso não seria apenas um final triste, mas uma afirmação poderosa sobre a natureza implacável do mal. Diferente de muitas narrativas onde o herói, por mais ferido que esteja, sempre prevalece através da força de vontade, aceitar a vitória de Griffith seria um golpe narrativo devastador. Seria o reconhecimento de que, em certas lutas, a escuridão vence, e o único legado deixado é a resistência constante, mesmo que infrutífera.
Por que a falha seria o auge da ficção?
A beleza trágica de um final onde Guts não alcança seu objetivo reside na sua capacidade de ressoar com temas adultos e complexos. A narrativa de Miura sempre se destacou por sua maturidade em lidar com temas como trauma, abuso e a natureza corrompida do poder. Um final vitorioso para Guts, embora desejado pelos fãs, poderia ser visto como uma quebra com essa filosofia mais sombria e realista dentro do universo fantástico.
Manter Griffith no controle do mundo, forçando Guts a viver perpetuamente fora da luz, talvez como um escudo eterno para Casca e os poucos aliados restantes, solidificaria sua figura não apenas como um guerreiro, mas como um símbolo da resistência humana contra um poder avassalador e divino. A ausência de catarse romântica, neste contexto, torna a saga um marco cultural, forjando um legado de angústia e beleza melancólica que poucos mangás conseguiram alcançar, como explorado amplamente em análises sobre a filosofia de Schopenhauer aplicada à ficção.