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A dicotomia de griffith em berserk: Destino cósmico versus agência moral em debate

A complexa jornada de Griffith em Berserk levanta questões profundas sobre livre arbítrio, destino e a natureza do mal absoluto na obra de Kentaro Miura.

Analista de Mangá Shounen
21/01/2026 às 15:50
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A figura de Griffith, antagonista central na aclamada obra Berserk de Kentaro Miura, continua a gerar intensos debates sobre a natureza de sua vilania e a extensão de sua responsabilidade pessoal no fatídico Eclipse.

Uma perspectiva emergente sugere que a tragédia central do personagem é mitigada pela força esmagadora do destino preestabelecido. Observadores da narrativa apontam para passagens cruciais onde é revelado que a ascensão e subsequente transformação de Griffith não seriam meros acidentes de ambição humana, mas sim desdobramentos orquestrados por forças superiores. A própria entidade quase divina, durante a metamorfose de Griffith, parece confirmar que construiu a linhagem do personagem e arquitetou cenários específicos ao longo de sua vida para conduzi-lo àquele ponto evolutivo.

O peso do determinismo cósmico

A inconsistência percebida reside na descrição popular de Griffith como um vilão puramente mau, quando parte significativa de sua trajetória parece ter sido determinada antes mesmo de seu nascimento. Se a sua linhagem e os eventos que o moldaram foram pré-concebidos, questiona-se o quão autêntica é a sua agência moral. Para alguns, isso remove a pungência da tragédia humana que a história poderia evocar, transformando Griffith de um indivíduo falho em um peão necessário dentro de um plano cósmico maior.

A narrativa sugere que a decisão final de aceitar o sacrifício durante o Eclipse, culminando na tragédia envolvendo Casca, é apresentada com nuances de coerção. Há relatos de que a transformação física e espiritual é tão profunda que ele deixa de sentir humanamente, sugerindo que o ato de sacrifício talvez não tenha sido executado pela mente de Griffith como o conhecemos, mas pela nova entidade em que ele se tornou.

A colisão entre a escolha e a predestinação

O que confunde determinados leitores é como conciliar a ideia de um vilão maligno guiado por maldade intrínseca com a evidência textual de que ele foi empurrado, ou até mesmo coagido, para essa posição. Para que a figura representasse o mal absoluto, seria mais satisfatório, em termos de construção dramática, que o sacrifício fosse um ato de escolha deliberada, e não o ápice inevitável de um destino traçado.

Além disso, os momentos que antecedem o ato final também são examinados em busca de sinais de resistência ou arrependimento. Há momentos específicos, como quando Guts interfere no processo, onde Griffith demonstra um esforço para evitar a queda final do amigo, mesmo estando física e espiritualmente devastado. Ele parece tentar impedir Guts de atingir o ponto de não retorno, embora sua fraqueza e lesões o impeçam de segurá-lo, resultando no rompimento dos tendões e na queda fatalícia.

Esses elementos complexos elevam a discussão sobre Berserk para além do simples confronto entre bem e mal, mergulhando em dilemas filosóficos sobre o papel do destino no sofrimento humano. A profundidade da obra de Miura reside justamente nessa ambiguidade, onde até mesmo o maior dos vilões pode ser visto como vítima de um roteiro preordenado, mesmo que suas ações finais sejam irrevogavelmente cruéis.

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Tags:

#Berserk #Casca #Griffith #Eclipse #Tragédia

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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