Análise revela o dilema do desenvolvimento dos konoha 11 após o salto temporal em naruto
A narrativa de Naruto, centrada em Naruto e Sasuke, inadvertidamente marginalizou o desenvolvimento dos outros protagonistas.
A saga Naruto é frequentemente elogiada por sua complexa dualidade, focada no desenvolvimento paralelo e colisão das jornadas de Naruto Uzumaki e Sasuke Uchiha. Embora essa estrutura seja um pilar narrativo da obra, uma análise mais profunda sugere que ela trouxe uma consequência estrutural significativa: a marginalização dos demais membros do time, conhecidos como Konoha 11, especialmente após a transição para a segunda parte da história.
Durante a primeira metade de Naruto Shippuden, os demais ninjas de Konoha mantiveram uma relevância notável, participando ativamente em missões e desenvolvendo habilidades. No entanto, à medida que a trama escalou em complexidade e poder, impulsionada pelos arcos focados em Naruto e Sasuke, o espaço para o desenvolvimento dos coadjuvantes diminuiu drasticamente.
A ascensão desproporcional e o efeito nivelador da Guerra Ninja
O ponto de inflexão para muitos fãs reside na Quarta Grande Guerra Ninja. Este arco, apesar de ser um evento central e extenso na narrativa, foi caracterizado por um período de tempo real condensado, permitindo focar quase exclusivamente na evolução extrema dos dois protagonistas. Naruto e Sasuke alcançaram saltos de poder exponenciais em um curtíssimo período:
- Naruto: Adquiriu o Modo de Chakra de Kurama, o Modo de Chakra de Kurama V2 e, subsequentemente, o Modo Sábio dos Seis Caminhos.
- Sasuke: Desbloqueou o Mangekyo Sharingan, o Mangekyo Sharingan Eterno e também o Modo Sábio dos Seis Caminhos.
Essas transformações de poder eclipsaram completamente a força e as técnicas dos outros shinobis de sua geração. A escala de poder (powerscaling) tornou-se tão descontrolada que, comparativamente, os Konoha 11 se tornaram funcionalmente inúteis no contexto do campo de batalha principal, expondo a fragilidade da estrutura de poder estabelecida nas fases anteriores da obra.
O destino de talentos promissores
Personagens que tiveram construções narrativas sólidas no início da série viram seus potenciais estagnarem-se. O exemplo de Rock Lee, cuja dedicação ao Taijutsu o havia posicionado como um gênio, culminou em um papel menos expressivo no clímax da guerra. Da mesma forma, a jornada dramática de Neji Hyuga, sobre superar a sina de seu clã, terminou em uma morte considerada por muitos como desnecessária, dada a sua relevância anterior.
Outros membros enfrentaram destinos variados, mas igualmente limitados em termos de destaque individual. Shikamaru Nara recebeu um desenvolvimento tardio e significativo após o fim da série principal, tornando-se um estrategista crucial na era pós-Guerra. Ino Yamanaka, embora ainda essencial como ninja de suporte durante o conflito, teve sua utilidade restrita a funções de assistência, enquanto Choji Akimichi permaneceu dependente das táticas conjuntas do Ino-Shika-Cho.
O Time Kurenai, composto por Kiba, Shino e Hinata, sentiu o peso dessa marginalização de forma ainda mais acentuada, recebendo pouca atenção ou momentos decisivos durante os eventos finais da guerra. O Sensei Kakashi Hatake, outrora uma lenda, também teve seu foco desviado para a gestão da guerra, impactando o desenvolvimento contínuo de sua antiga equipe.
Embora o enfoque intenso em Naruto e Sasuke seja compreensível para amarrar o tema central da rivalidade e redenção, a execução da Quarta Grande Guerra Ninja sacrificou a coesão do elenco de apoio. O foco excessivo na elevação dos dois protagonistas resultou em um arco que, embora grandioso em escala, enfraqueceu o impacto de personagens que definiram a primeira metade da jornada no vilarejo de Konohagakure.