Um dilema moral e cronológico no universo de berserk: A tentação de alterar o eclipse

Uma questão hipotética explora se um viajante tentaria impedir o Eclipse destruindo Griffith antes do evento fatídico, enfrentando a ira de Guts e Casca.

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Analista de Mangá Shounen

15/02/2026 às 09:28

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O universo sombrio e complexo de Berserk, criado pelo mestre Kentaro Miura, frequentemente desafia os limites da moralidade e do destino. Recentemente, um cenário contrafactual inflamou o interesse sobre as prioridades e lealdades dentro dessa narrativa trágica: a possibilidade de uma intervenção externa para impedir o sacrifício que culminou no Eclipse.

A premissa é tentadora e eticamente complexa. Imagine um indivíduo com a capacidade de viajar no tempo e espaço, infiltrando-se no mundo de fantasia medieval. O objetivo explícito seria eliminar Griffith antes que ele realizasse o ritual que o transformaria em Femto, Membro da Mão de Deus, e resultasse na perseguição da Banda do Falcão.

O Custo da Salvação: A Fúria dos Sobreviventes

Embora a eliminação de Griffith pareça, à primeira vista, um ato heroico que salvaria incalculáveis vidas e evitaria a danação de incontáveis almas, a reviravolta reside nas consequências sociais dessa ação em relação aos protagonistas centrais. O cerne do dilema é a reação esperada de Guts e Casca.

Ambos desenvolveram laços profundos com Griffith, embora de naturezas muito diferentes. Guts passou por uma jornada de autodescoberta e conflito interno enquanto estava sob a liderança de Griffith, e Casca nutria uma profunda devoção, embora reprimida em certos momentos. Um agente externo que remove Griffith unilateralmente, retirando o catalisador central de suas vidas-mesmo que fosse para impedir uma catástrofe-seria visto não como um salvador, mas como um invasor que alterou drasticamente o curso de suas jornadas pessoais e relacionamentos.

A questão se resume a um conflito entre o maior bem (impedir a ascensão de um demônio que destrói o mundo) e a lealdade pessoal e a autonomia das personagens centrais. A eliminação preventiva de Griffith significaria que Guts e Casca, ao acordarem em um mundo onde ele jamais existiu daquela forma, sentiriam a perda de sua figura central de liderança e inspiração, e, subsequentemente, caçariam o responsável pela alteração da linha do tempo.

Análise: A Tirania do Destino em Berserk

Este exercício mental toca em um tema recorrente na obra: a inescapabilidade do destino e o preço da ambição. O sacrifício, no contexto de Berserk, é quase uma constante cósmica. Se tal intervenção fosse possível, ela questionaria se o sofrimento de Guts e Casca, embora extremo, era fundamental para forjar quem eles se tornaram. Impedir o Eclipse, nesse prisma, seria negar a força e resiliência que eles demonstraram ao sobreviver ao trauma.

A decisão de prosseguir com a eliminação, portanto, exigiria que o indivíduo estivesse disposto a ser permanentemente um inimigo jurado dos dois personagens mais poderosos e emocionalmente carregados da série. É um cálculo onde a salvação da humanidade de se tornar presa de um Deus Empíreo é posta na balança contra a provável morte certa, cercado por dois guerreiros devastados, mas ferozes.

O dilema, em essência, não é sobre Griffith, mas sobre a natureza da agência individual versus a estrutura narrativa predefinida que sustenta a tragédia de Kentaro Miura.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.