A divergência na construção de personagens icônicos de naruto após a fase clássica
Análise aponta frustração com a suavização de vilões complexos como Orochimaru e Itachi no desenvolvimento posterior da trama.
A jornada de desenvolvimento de personagens no universo de Naruto, especialmente após a transição da fase clássica para Naruto Shippuden, tem gerado debates intensos sobre a coerência narrativa e a profundidade de figuras centrais. Um ponto de insatisfação recorrente foca em como a trajetória de antagonistas notórios foi reescrita ou atenuada em nome de arcos de redenção.
A crítica à suavização de vilões
A principal ressalva observada reside no tratamento dado a personagens que, originalmente, exemplificavam o mal inerente ao mundo ninja. Havia uma expectativa de que certas figuras mantivessem a representação de uma maldade pura, sem justificativas complexas baseadas em traumas passados ou contextos emocionais.
O mangaká Masashi Kishimoto é elogiado por sua habilidade em construir complexidade moral, mas, para alguns espectadores, a execução subsequente falhou em manter a ameaça original desses indivíduos. Especificamente, a exploração do comportamento de Orochimaru é frequentemente citada. Um personagem conhecido por raptar crianças e comemorar massacres viu seu arco culminar em uma existência surpreendentemente pacífica e, até certo ponto, domesticada, especialmente em obras posteriores como Boruto, onde ele desfruta de uma vida familiar em Konoha.
O caso de Itachi Uchiha
Outra discussão central envolve Itachi Uchiha. Embora a revelação de seu sacrifício tenha estabelecido um argumento sólido para classificá-lo como um anti-herói necessário, há quem argumente que a abordagem em Shippuden o tornou excessivamente benevolente.
A preferência expressa é por um Itachi mais alinhado com sua persona inicial: frio, calculista e impiedoso, características fundamentais para a tensão dramática que ele representava. A necessidade de racionalizar suas ações através de um sofrimento profundo, embora adicionando camadas, teria diluído o impacto de sua crueldade inicial, que era vista como essencial para a narrativa de Naruto.
A falta de vilania sem redenção
A carência de antagonistas puramente maus no panorama geral da obra é um tema correlato. A tendência de atribuir a todos os grandes vilões do universo Naruto um passado trágico ou um coração partido como motor de suas ações cria um padrão previsível. Historicamente, vilões que agem por pura ambição, prazer em causar discórdia ou ideologia destrutiva sem uma razão pessoal redentora são raros.
Essa estruturação narrativa, que busca a empatia em quase todos os lados do conflito, altera a dinâmica vista na primeira parte da saga. A manutenção de personagens malignos que não poderiam ser facilmente trazidos para o lado da luz, justamente por não terem um trauma a ser curado, é vista por críticos como o que faltou para manter o equilíbrio entre o preto e o branco do mundo ninja construído por Kishimoto.
Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.