Divisões na base de fãs de naruto: A controvérsia sobre a canonicidade e o legado de 'boruto'
Uma linha divisória surge na nostalgia dos fãs de 'Naruto' quando o sucessor, 'Boruto: Naruto Next Generations', entra em pauta.
A saga Naruto, que definiu uma geração de entusiastas de animes e mangás, enfrenta um debate silencioso, mas persistente, entre sua base de seguidores: a aceitação da continuação direta, Boruto: Naruto Next Generations. Há uma corrente significativa de espectadores que, por diversas razões, pratica uma espécie de negação seletiva, tratando a sequência como um universo paralelo ou, em casos mais extremos, como se ela simplesmente não existisse na linha narrativa oficial.
Este fenômeno de distanciamento é frequentemente contextualizado pela comparação com um precedente histórico na cultura pop japonesa. Observadores comparam a situação de Boruto com o que Dragon Ball GT representou para a franquia Dragon Ball. Enquanto GT não era canônico e foi amplamente ignorado ou renegado por muitos após o retorno da narrativa principal, a esperança reside em um desfecho similar para a continuação de Naruto.
A esperança na não canonicidade
A base desse sentimento sugere que a qualidade ou a direção criativa tomada em Boruto não honra o fechamento da Quarta Grande Guerra Shinobi, o clímax da obra original de Masashi Kishimoto. A ideia implícita é que a história deveria logicamente prosseguir a partir do momento em que a paz foi estabelecida no mundo ninja, ignorando os novos desafios e transformações apresentados na vida de Boruto Uzumaki, o filho do Sétimo Hokage.
A continuidade, que explora a nova geração de ninjas e as complexidades de um mundo pós-conflito, tornou-se um ponto de fricção. Para alguns, a introdução de novas ameaças e a desconstrução de certos aspectos estabelecidos nos anos de formação de Naruto e Sasuke parecem um desvio não solicitado do material amado.
O peso do legado
O universo ninja construído por Kishimoto possui um peso emocional significativo para milhões de pessoas ao redor do mundo. A transição para uma nova geração exige uma justificação narrativa robusta para manter o engajamento do público que acompanhou Naruto de criança a adulto. Se a recepção à nova obra não atinge o mesmo patamar de aprovação, a tendência natural é buscar refúgio na nostalgia do final anterior.
Essa postura de “fingir que não existe” reflete o desejo de proteger a integridade percebida da narrativa original. Não se trata apenas de rejeitar os novos personagens ou o enredo atual, mas sim de preservar a conclusão que foi considerada satisfatória por uma grande parcela da audiência. Assim, a discussão sobre o futuro canônico da franquia permanece um tema sensível, sublinhando o quão profundamente enraizado o legado de Naruto Shippuden permaneceu no imaginário coletivo.
Analista de Anime Japonês
Especialista em produção e elenco de animes e filmes japoneses originais. Possui vasta experiência em cobrir anúncios de elenco, equipe técnica e trilhas sonoras de produções de nicho, focando na precisão dos detalhes da indústria.