A complexa dor emocional de casca e o papel ambíguo de griffith no mangá berserk

Análise dos momentos cruciais que definem o sofrimento de Casca e a motivação por trás das ações de Griffith.

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Analista de Mangá Shounen

11/01/2026 às 18:38

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A complexa dor emocional de casca e o papel ambíguo de griffith no mangá berserk

O universo sombrio de Berserk, criado por Kentaro Miura, está repleto de tragédias que ressoam profundamente com o público, especialmente nos arcos que envolvem a personagem Casca. A complexidade de seu trauma e as motivações ambíguas de Griffith continuam a ser um foco central de estudo e reflexão entre os apreciadores da obra.

Um ponto de análise recorrente é o estado psicológico atual de Casca pós-Eclipse. Embora fisicamente resgatada ou preservada em certas circunstâncias, sua mente permanece aprisionada por memórias devastadoras. O sofrimento que ela experiencia não é meramente físico, mas reside na incapacidade de processar ou sequer reconhecer a fonte de sua angústia. A dor é onipresente, mas sua causa permanece velada para ela, criando um ciclo de confusão e angústia constante.

O resgate e a instrumentalização

É fundamental observar que a intervenção de Griffith, que historicamente culminou em sua ascensão como Femto, nunca é puramente altruísta no contexto da narrativa. Uma das interpretações mais contundentes sobre suas ações recentes aponta para a instrumentalização da própria Casca. O ato de salvamento ou manutenção de sua vida, em certos momentos cruciais, parece estar intrinsecamente ligado à existência da criança demoníaca.

Esta criança, filha de Guts e da forma demoníaca de Griffith, representa um elo kármico ou um recurso tático dentro do novo plano de Griffith para o seu mundo ideal. A ligação entre Casca e a criança serve como uma âncora, ou talvez um ponto de pressão, que Griffith utiliza para mover os acontecimentos a seu favor. A sua aparente proteção ou proximidade é, portanto, vista como tática, e não como redenção ou verdadeiro cuidado pelo bem-estar de Casca, que permanece submersa em sua dor existencial.

A dinâmica estabelecida entre esses três personagens é um dos pilares emocionais mais densos da saga. Enquanto Casca luta para encontrar paz interior ou autoconsciência, as ações de Griffith são guiadas por objetivos maiores e mais cosméticos, tornando o seu envolvimento com ela secundário à sua ambição de criar seu reino.

Essa tensão narrativa sublinha a maestria de Kentaro Miura em explorar temas como trauma, desejo e o custo da ambição desenfreada. A jornada de Casca, presa entre a dor incompreensível e a influência de figuras manipuladoras, continua a ser o motor de momentos de profunda tristeza na narrativa de Berserk, mantendo os leitores envolvidos na complexidade de seu destino.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.