A complexa dualidade de griffith e femto suscita novo debate entre os fãs de berserk

Uma nova perspectiva questiona a separação moral entre o humano Griffith e sua encarnação demoníaca, Femto.

An
Analista de Mangá Shounen

01/03/2026 às 20:45

4 visualizações 4 min de leitura
Compartilhar:
A complexa dualidade de griffith e femto suscita novo debate entre os fãs de berserk

A persistente discussão em torno do personagem Griffith, um dos vilões mais emblemáticos da história do mangá Berserk, ganhou um novo foco de análise. O debate recente, gerado a partir de conteúdos compartilhados em plataformas de vídeo curtos, propõe uma separação estrita de responsabilidade moral entre as duas naturezas do ser: o Griffith humano, apresentado como um líder carismático e ambicioso, e Femto, a entidade demoníaca nascida após o sacrifício da Banda do Falcão.

A tese defendida por algumas análises contemporâneas sugere que o Griffith original, aquele que buscava seu próprio reino, deve ser considerado inocente pelos atos mais hediondos cometidos, imputando toda a culpa à transição para Femto, um ser que transcendeu a humanidade e as convenções morais pré-estabelecidas.

A natureza do sacrifício e a perda da humanidade

Para compreender a profundidade desta questão, é crucial revisitar o arco do Eclipse, o ponto de não retorno na narrativa de Kentaro Miura. O sacrifício da Banda do Falcão para que Griffith alcançasse seu sonho foi um ato de extrema vilania, executado pela mão do recém-formado Deus Mão, Femto. No entanto, os críticos desta nova linha de pensamento argumentam que a intenção original ainda pertencia ao homem, e que a transformação alterou fundamentalmente sua psique e capacidade de escolha.

Essa dicotomia força uma reflexão sobre o conceito de tragédia no universo de Berserk. Seria um homem que almeja o poder e faz um pacto desastroso fundamentalmente diferente da criatura que emerge desse pacto? Muitos fãs defendem que a escolha de aceitar o Behelith Escarlate e submeter-se ao sacrifício é a prova cabal da maldade intrínseca de Griffith, independentemente da forma que ele assume subsequentemente. A ambição ilimitada, sustentada por anos, culminou no ato que não pode ser desfeito.

Femto como resultado, não como desculpa

A ascensão de Femto, que posteriormente se torna parte da Causalidade, implica uma fusão completa com forças cósmicas que ditam o destino, removendo o livre arbítrio em um sentido humano. Se Femto é a manifestação pura do desejo de Griffith, desprovido de qualquer resquício de sua antiga moralidade, a inocência do humano torna-se um argumento frágil. É a concretização do que o lado humano desejou no nível mais profundo, removendo o verniz social e ético.

O debate se estende para a análise do comportamento de Griffith após seu retorno, já sob a forma humana novamente, mas carregando o poder de Femto. Sua aparente bondade e liderança sobre o Novo Falcão, que reorganiza o reino de Falconia, parecem ecoar o líder carismático do passado, mas agora com um poder absoluto e uma aura de infalibilidade. A análise da continuidade entre as duas personalidades permanece no cerne da complexidade moral de um dos personagens mais fascinantes da fantasia sombria.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.