A complexa dualidade entre griffith e femto no universo de berserk
A transição de Griffith para Femto representa um dos pontos de virada mais impactantes na narrativa de Berserk, levantando questões sobre identidade e sacrifício.
A jornada de Griffith, de líder carismático da Banda do Falcão a entidade cósmica, é central para a mitologia da obra Berserk. Embora ambos representem a mesma essência, a transformação em Femto, após o Eclipse, redefine fundamentalmente seu propósito e sua natureza dentro do Mundo Astral.
A distinção entre as duas personas reside principalmente no nível de humanidade retido e na consciência de seus objetivos passados. Griffith, em sua forma humana, era impulsionado por um sonho tangível: possuir seu próprio reino. Essa ambição, embora egoísta, era compreensível dentro do contexto humano e político, envolvendo laços emocionais, mesmo que superficiais, com seus companheiros, como Guts e Caska.
A Ascensão ao Status de Membro da Mão de Deus
Femto, por outro lado, é a encarnação do desejo puro, despojado de qualquer vestígio de moralidade ou conexão humana. Ao se tornar um dos cinco membros da Mão de Deus, a entidade Femto age sob a influência das leis do causalidade e do plano dos Apóstolos, servindo essencialmente ao God Hand e ao seu propósito maior de moldar o destino do mundo.
A alteração na forma física reflete essa mudança ontológica. Enquanto Griffith mantinha um corpo humano e estética sedutora, Femto adota uma aparência etérea e demoníaca, simbolizando sua total absorção pelo reino das entidades sobrenaturais. Este é um ponto crucial de análise, pois marca o desaparecimento da identidade que Guts um dia buscou superar.
- Griffith (Humano): Impulsionado pelo sonho mundano; mantinha capacidade de empatia limitada, mas extrema ambição.
- Femto (Membro da Mão de Deus): O desejo tornado entidade abstrata; foco exclusivo nas forças cósmicas e na manipulação do destino.
Essa transfiguração levanta questões filosóficas sobre a identidade. Será que Femto ainda guarda memórias ou resquícios da personalidade de Griffith, ou a transformação foi tão completa que o indivíduo anterior foi completamente apagado? O comportamento posterior de Griffith, que paradoxalmente tenta recriar a Banda do Falcão, sugere que o novo ser utiliza a memória do antigo sonho como ferramenta de manipulação, mas opera sob uma lógica superior e desumana.
A complexidade da narrativa reside em como o autor explora a natureza do mal. Griffith não é apresentado apenas como um vilão, mas como o resultado final de uma ambição levada ao extremo, onde o custo de realizar um sonho é a aniquilação da própria humanidade. Para aqueles interessados em aprofundar a mitologia por trás de conceitos como a Mão de Deus e o Eclipse, a leitura de materiais complementares sobre as influências ocultistas na obra de Kentaro Miura oferece um contexto rico.