A complexa dualidade de griffith: Analisando as identidades de femto e o novo rei do drustbag
Entenda as nuances conceituais que separam a entidade Femto do renascido Griffith, um ponto central na narrativa de Berserk.
A jornada de Griffith na aclamada série de mangá Berserk é marcada por uma transformação profunda e controversa que gera constantes questionamentos entre os leitores sobre a real natureza de sua identidade após o Eclipse. O cerne da confusão reside na distinção entre o Griffith original, que ascendeu ao status de Femto, e o seu subsequente renascimento no mundo físico.
Para desvendar essa camada complexa da mitologia da obra, é preciso analisar a separação fundamental ocorrida durante o Sacrifício. O corpo físico de Griffith, devastado após o Eclipse, foi o recipiente para o surgimento de uma nova forma. Através do ovo carmesim, a entidade conhecida como Femto, um dos membros da Mão de Deus, utilizou essa oportunidade para reencarnar no plano material como um corpo humano, mantendo a aparência e a ambição do antigo líder da Tropa do Falcão.
Femto versus o Renascido Griffith
A figura de Femto, o ser demoníaco e imortal, permanece em um plano etéreo, atuando a partir do Mundo Astral. Enquanto isso, o Griffith que interage com os personagens principais, como Guts e Caska, é um avatar físico, uma casca reconstruída que serve aos propósitos do ser superior. A principal questão que permeia o debate é se este novo Griffith é simplesmente uma ferramenta ambulante de Femto ou se ele possui uma identidade autônoma, ainda que construída sobre a base do desejo original.
O Griffith renascido em Falconia claramente compartilha o sonho original de seu antecessor: estabelecer seu próprio reino e ser o salvador de Midland. Essa ambição incessante parece ser a ponte que conecta as duas existências de Griffith. Contudo, o temor levantado é se a entidade Femto, a energia primordial por trás da mudança, estaria apenas orquestrando um plano de longo prazo, utilizando o carisma e a influência do corpo renascido para manipular os eventos globais.
O Conflito de Identidades e Objetivos
Um ponto que causa perplexidade é a aparente falta de interferência direta do Femto na forma escura e alada, mencionada por observadores da trama. Se o corpo físico está executando o plano que Femto idealizou no Eclipse, por que a entidade cósmica não se manifesta abertamente com sua forma anterior? Alguns analistas da obra de Kentaro Miura sugerem que essa separação é estratégica. O Griffith humano, com sua capacidade de inspirar devoção e realizar feitos heróicos reconhecíveis, é mais eficaz para consolidar um reino humano do que a presença irrefutável de um ser demoníaco.
Em essência, o relacionamento entre as duas manifestações parece ser o de mestre e agente, onde o Griffith físico é a personificação temporária e funcional do desejo primordial de Femto. Ele é a encarnação da ambição, um eco poderoso que executa a vontade do ser que se sacrificou, mas que agora opera em um nível de interação social humana, distanciado da manifestação pura de poder astral que caracterizou sua ascensão como um apóstolo do mal. A clareza sobre essa distinção é crucial para entender a complexa tapeçaria narrativa de Berserk e as motivações de seu antagonista central.