A dualidade de griffith: Os mercenários da tropa do falcão viam-no como luz ou escuridão?
Uma análise profunda sobre como os membros leais da Tropa do Falcão percebiam a figura ambivalente de Griffith antes e depois de sua ascensão.
A trajetória de Griffith, líder carismático da Tropa do Falcão em Berserk, é marcada por uma transformação radical que o catapultou ao status de entidade quase divina. No entanto, um ponto crucial para a narrativa é como seus seguidores mais devotos, aqueles que permaneceram leais até o fatídico Eclipse, realmente interpretavam essa figura central em suas vidas.
Antes de sua ascensão como Femto e membro da Mão de Deus, Griffith era amplamente aclamado como o “Falcão da Luz”. Esse epíteto sugere uma percepção de salvador, alguém que prometia liberdade e realizações através de uma causa nobre. Para os mercenários sob seu comando, que frequentemente lutavam por terras e ideais incertos, Griffith representava a única fonte de esperança e propósito. A adoração era genuína, baseada em vitórias tangíveis e na visão de um futuro brilhante que ele impulsionava.
A contradição entre a imagem pública e a realidade oculta
A complexidade surge quando se considera a natureza inerentemente maligna da entidade que Griffith se torna. Ele transcende a religião ou crença terrena, emergindo como um dos Apóstolos supremos, um agente da escuridão cósmica. A questão central que permeia a percepção dos membros não iniciados reside justamente nessa dissonância: se eles não aderiam a um credo religioso formal, por que o termo “Falcão da Luz” persistia?
Enquanto a corte real e outras facções poderiam usar o termo de forma mais literal ou política, para a Tropa, “Luz” parecia ser uma metáfora para “sucesso”, “glória” e “mudança de destino”. Griffith era o farol que os tirava da lama da vida mercenária, um indivíduo capaz de realizar o impossível. A idolatria, neste contexto, não estava necessariamente ligada a conceitos teológicos de bem e mal instituídos, mas sim ao poder de realização pessoal de seu líder.
A cegueira voluntária diante da escuridão
Mesmo após a transformação e a manifestação de seu poder divino, é razoável inferir que muitos membros remanescentes, traumatizados pelo evento em si, optaram por manter a narrativa anterior. Para sobreviver psicologicamente a um evento tão catastrófico, aceitar que o homem por quem arriscaram tudo era, na verdade, a personificação da escuridão absoluta pode ser mais danoso do que reinterpretar seu título como algo adaptado à nova realidade.
A figura de Griffith, portanto, opera em múltiplas camadas. Para o público externo, ele era um herói militar. Para si mesmo, ele é um instrumento do causal. E para seus discípulos mais fervorosos, ele se transforma em algo que transcende a dualidade, um ser cujas ações, por mais brutais, são justificadas pela conquista de seu sonho supremo. A lealdade à imagem do Falcão da Luz, mesmo diante da evidência do Falcão da Escuridão, fala mais sobre a profundidade da devoção humana à idealização do que sobre um conhecimento real de sua nova natureza como Membro da Mão de Deus.
Analista de Mangá Shounen
Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.