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A expansão do conceito isekai: Inuyasha e bleach se encaixam na definição de 'outro mundo'?

A definição de Isekai, que literalmente significa 'outro mundo', atrai debates acalorados quando aplicada a animes como InuYasha e Bleach.

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Analista de Mangá Shounen

13/02/2026 às 18:04

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O debate sobre o que realmente constitui o gênero Isekai (literalmente traduzido como 'outro mundo') continua a gerar controvérsia no universo da animação japonesa. Embora o termo se refira primariamente a narrativas onde um protagonista é transportado para uma realidade alternativa, a rigidez dessa definição é posta à prova por obras consagradas como InuYasha e Bleach.

A perspectiva amplamente defendida é que qualquer obra que apresente a transposição do personagem principal para um ambiente substancialmente diferente da sua realidade cotidiana, mesmo que culturalmente anterior ou paralelo, deveria se enquadrar no escopo do 'outro mundo'. Sob este prisma, a jornada de Kagome Higurashi, que cai em um poço e é transportada para o Japão feudal repleto de youkais, em InuYasha, pareceria se encaixar perfeitamente. O mundo dos Feudos de Sengoku é inegavelmente um Isekai para a protagonistra moderna.

Onde termina o toque de Isekai e começa a fantasia tradicional?

A complexidade aumenta quando analisamos Bleach. Enquanto Ichigo Kurosaki, um estudante comum, ganha os poderes de um Shinigami e passa a navegar constantemente entre a dimensão humana (Karakura Town) e a Soul Society (Sociedade das Almas), surge a dúvida: a Soul Society é um 'outro mundo' distinto, ou apenas um plano espiritual adjacente ao mundo vivo?

Para os proponentes da definição literal, o simples fato de haver um reino separado, com suas próprias regras, história e habitantes (os Shinigamis e Hollows), já qualifica Bleach como um tipo de Isekai. A imersão de Ichigo neste novo rol de responsabilidades e locais distintos da sua vida burguesa é total após o período inicial de adaptação. Contudo, muitos espectadores resistem a classificar obras onde a viagem não envolve um óbito seguido de reencarnação, ou um transporte forçado para um mundo de fantasia clássica com elementos de RPG.

Essa rigidez classificatória se manifesta até mesmo em títulos mais recentes. Há quem argumente que Sword Art Online, apesar de envolver a imersão total em um mundo virtual interativo, não seria um Isekai genuíno se os personagens não morressem efetivamente no mundo real para permanecerem no jogo, o que contradiz a etimologia direta da palavra. Esta abordagem sugere uma subgênero que exige morte ou renascimento como mecanismo de passagem.

A evolução dos tropos narrativos

A análise revela que o gênero se expandiu muito além de sua etimologia. O que antes era uma simples viagem dimensional, hoje é associado a tropos de poder, sistemas de jogo e a construção de mundos com regras bem definidas, um fator que pode obscurecer a classificação de obras mais antigas como InuYasha. O que permanece claro é que a atração por narrativas de 'transporte para outro lugar', seja ele um mundo paralelo, um reino espiritual ou um ambiente virtual, é um motor narrativo poderoso tanto para criadores quanto para audiências. A discussão sobre InuYasha e Bleach força uma reavaliação contínua dos limites conceituais que definem o anime moderno.

An

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.