Por que o fenômeno demon slayer foi ignorado pelo Oscar apesar do sucesso estrondoso de bilheteria
A ausência de indicações para Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba nos prêmios da Academia surpreende após recordes financeiros.
22/01/2026 às 17:26
O universo cinematográfico foi agitado pela mais recente edição do Oscar, mas uma ausência notável chamou a atenção: o aguardado filme da franquia Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, que consolidou seu status de fenômeno global com arrecadações históricas, não garantiu espaço sequer nas listas preliminares da premiação.
Este cenário levanta debates persistentes sobre o reconhecimento institucional de produções de animação fora do eixo tradicional de estúdios ocidentais, especialmente quando tais obras alcançam feitos financeiros inéditos. Demon Slayer, quebrando barreiras de bilheteria para produções não-hollywoodianas, parecia ser um forte candidato a reconhecimento técnico, se não artístico.
A métrica de sucesso da bilheteria versus o crivo acadêmico
O sucesso de Demon Slayer transcende a métrica de lucro. A produção, baseada no mangá de Koyoharu Gotouge, demonstrou uma capacidade ímpar de mobilizar audiências maciças globalmente. No Japão, por exemplo, o filme estabeleceu recordes absolutos, superando marcos históricos que antes pareciam intocáveis. A qualidade técnica da animação, frequentemente elogiada por sua fluidez e direção de arte espetacular, é um ponto frequentemente destacado por críticos de cinema e animação.
Contudo, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, conhecida por seu conservadorismo na categoria de Melhor Animação, historicamente prioriza obras que se alinham a narrativas e estéticas específicas. Mesmo filmes de animação com grande apelo comercial, fora do escopo de estúdios como Pixar ou Disney, raramente recebem atenção total, a menos que sejam acompanhados de uma forte campanha de influência em Hollywood.
O precedente de filmes estrangeiros em animação
Embora o Oscar tenha mostrado aberturas recentes, como a indicação de filmes de animação de países como o Japão em anos anteriores, a ausência de Demon Slayer sugere que o poder da bilheteria, por mais avassalador que seja, nem sempre é suficiente para penetrar a barreira da seleção inicial da Academia. Especialistas apontam que a percepção de que um filme de anime é primariamente entretenimento de massa, em vez de cinema artístico puro, pode ser um fator determinante no processo de votação.
A expectativa gerada pelo desempenho comercial colocava Demon Slayer em uma posição única para forçar uma discussão sobre a excelência técnica paralela ao sucesso popular. O seu desempenho nas bilheterias, no entanto, permanece como um testemunho inegável de sua ressonância cultural, mesmo que o prêmio máximo da indústria cinematográfica tenha optado por outro caminho nesta temporada.
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