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A filosofia do mal absoluto de garou e o conceito de violência divina de walter benjamin

Uma análise compara a busca do vilão Garou por um 'mal absoluto' com a 'violência divina' descrita por Walter Benjamin.

Analista de Mangá Shounen
01/06/2026 às 00:51
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Uma análise conceitual surpreendente emerge ao colocar em perspectiva a filosofia do antagonista Garou, conhecido por sua busca implacável pelo "mal absoluto", em contraste com teorias filosóficas mais tradicionais. Especificamente, seu idealismo radical parece espelhar o conceito de "violência divina" ("über die Gewalt") explorado no ensaio seminal de Walter Benjamin, "Crítica da Violência".

A Violência como Instrumento de Lei

Benjamin argumentava que a maior parte da violência observada na sociedade é "mitosche Gewalt", ou violência mítica, aquela que serve para criar, manter ou purgar leis. Esta é a violência institucionalizada, usada para preservar o status quo e manter a ordem social, independentemente de sua justiça intrínseca. É uma violência de meios e fins, sempre justificável em nome da lei.

Em contraste, Benjamin postula a violência divina. Este tipo de violência não busca estabelecer novas leis nem preservar as existentes; ela é pura e imparcial, tendo como objetivo a destruição completa do aparato de produção de leis e da violência que as sustenta. É uma força disruptiva que visa limpar o campo de jogo jurídico-social.

Garou e a Destruição da Ordem Moral

A figura de Garou, particularmente em seu arco de desenvolvimento no mangá One Punch Man, encaixa-se surpreendentemente bem nessa descrição benjaminiana. Sua filosofia não é motivada por ganho territorial ou vingança pessoal, mas sim pela aspiração de se tornar o "mal absoluto". Ele deseja ser a personificação do terror que forçaria a humanidade a se unir e evoluir seus ideais de heroísmo.

A sua luta é fundamentalmente contra a dualidade simplória de bem e mal imposta pela Associação de Heróis. Garou rejeita a violência instrumentalizada pelos heróis, que usam os monstros como pretexto conveniente para legitimar sua própria existência e poder. Para ele, a violência dos heróis é também uma violência mítica, usada para preservar a estrutura legal e moral que ele vê como hipócrita e opressora.

A Justificação pela Oposição

A Associação de Heróis, por sua vez, opera segundo os mesmos princípios que Benjamin critica: ela depende da existência da "violência dos monstros" para validar sua própria função. Se não existissem ameaças que necessitassem ser contidas, a estrutura de poder dos heróis perderia sua razão de ser. Assim, a violência monstrosa, embora destrutiva, acaba servindo como catalisador para a violência preservadora da ordem heroica.

Ao buscar o "mal absoluto", Garou tenta ser uma força que transcende ambos os polos. Ele não quer ser um novo legislador; ele quer ser a força da purgação, uma manifestação da violência que, em sua essência pura e destrutiva, poderia anular tanto a ameaça quanto o sistema que se formou para combatê-la. Essa busca por uma ruptura total, desinteressada em estabelecer uma nova norma, ecoa o ideal de aniquilação legalista proposto por Benjamin.

Esta convergência conceitual sugere que a narrativa de One Punch Man, mesmo através de um personagem de ficção, toca em questões profundas sobre o papel da força na fundação e manutenção de sistemas sociais e morais.

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Tags:

#One Punch Man #Garou #Filosofia #Walter Benjamin #Crítica da Violência

Analista de Mangá Shounen

Especializado em análise aprofundada de mangás de ação e batalhas (shounen), com foco em narrativas complexas, desenvolvimento de enredo e teorias de fãs. Experiência em desconstrução de arcos narrativos e especulações baseadas em detalhes canônicos.

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