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Formiga colheita ibérica desafia biologia ao propagar duas espécies na natureza

A formiga Messor ibericus utiliza uma estratégia reprodutiva inédita, acasalando com machos de outra espécie e clonando-os, um fenômeno complexo na evolução.

Fã de One Piece
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31/01/2026 às 08:48

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Formiga colheita ibérica desafia biologia ao propagar duas espécies na natureza

Um organismo biológico está reescrevendo as regras da evolução social e reprodutiva. Pesquisadores que estudam a formiga colheita ibérica, conhecida cientificamente como Messor ibericus, descobriram um método de propagação que a coloca em uma categoria singular na natureza: ela é o único ser vivo conhecido que propaga ativamente duas espécies diferentes por conta própria.

Um ciclo de vida reprodutivo sem precedentes

A complexidade reside no ciclo de vida das rainhas desta espécie. Em vez de se reproduzirem estritamente com machos da sua própria espécie, as rainhas de M. ibericus cruzam com machos de outra espécie de formiga. O aspecto mais surpreendente do processo é o que acontece a seguir: essas rainhas, então, clonam esses machos de outra espécie, garantindo a perpetuação de ambos os genomas de maneira interligada.

Este método de reprodução é descrito como extremamente bizarro até mesmo para os padrões dos insetos sociais, grupos conhecidos por suas complexas hierarquias e sistemas reprodutivos variados. O biólogo evolucionista Jonathan Romiguier, que liderou a equipe de pesquisa responsável pela descoberta, classificou a M. ibericus como o organismo com a vida colonial mais complexa conhecida até o momento.

Implicações para a biologia evolutiva

A revelação lança luz sobre a maleabilidade dos sistemas reprodutivos em ambientes sociais. Para biólogos não envolvidos diretamente no estudo, o achado representa um marco que ultrapassa expectativas prévias sobre o que é evolutivamente possível. Michael Goodisman, outro biólogo evolucionista, comentou que a descoberta é quase impossível de acreditar e força a ciência a expandir sua compreensão sobre como as espécies se mantêm e se diversificam.

A capacidade de uma única espécie sustentar a existência de duas linhagens distintas através de um mecanismo reprodutivo tão específico sugere um alto grau de interdependência evolutiva, ou talvez uma adaptação extrema a pressões ambientais. Enquanto a reprodução em insetos sociais, como as formigas e as abelhas, frequentemente envolve a produção de operárias estéreis ou a clonagem do material genético de uma progenitora, o ato de hibridizar e manter a outra espécie ativa simultaneamente é uma novidade notável no reino animal.

Estudos futuros são esperados para mapear a extensão dessa colaboração interespecífica e entender as vantagens ecológicas que esta estratégia oferece à Messor ibericus, um pequeno organismo que, ironicamente, carrega uma carga evolutiva imensa.

Fã de One Piece

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Entusiasta dedicado da franquia One Piece com foco em análise de conteúdo e apreciação de comédia e desenvolvimento de personagens. Experiência em fóruns especializados e discussões temáticas sobre o mangá/anime.