A tragédia silenciosa de kokushibo: A incompreensão final do primeiro lua superior em "demon slayer"
A jornada de Kokushibo, apesar de sua conexão profunda com o universo de Kimetsu no Yaiba, termina como um mero antagonista, sem que sua complexidade seja resgatada.
O universo de Kimetsu no Yaiba é construído sobre camadas densas de tragédias pessoais, transformando demônios em personagens com passados dolorosos. Mesmo os antagonistas mais cruéis revelam motivações humanas. No entanto, uma reflexão importante surge sobre a figura de Kokushibo, o Lua Superior Um, cuja história complexa e nobreza residual parecem ter sido, em grande parte, invisíveis para aqueles que o confrontaram em batalha.
O peso da invisibilidade para Kokushibo
A narrativa estabelece que Kokushibo possui laços profundos com a mitologia central da série e carrega qualidades nobres, embora profundamente distorcidas pela sua transformação. A questão que paira é se, no calor do confronto final, aqueles que lutaram contra ele conseguiram, ou sequer tiveram a chance de perceber, a complexidade por trás da maior criação de Muzan.
Ao contrário do que ocorreu com Akaza, o Lua Superior Três, a aceitação e o entendimento de sua dor parecem ter sido negados a Kokushibo. Tanjiro Kamado, o protagonista, demonstrou a capacidade de sentir o sofrimento de Akaza e compreendeu a gratidão silenciosa que ele expressou antes do fim. Essa conexão empática, mesmo parcial, ofereceu um fechamento ao vilão.
Um lacaio esquecido no final
Kokushibo encontrou seu fim em combate contra diversos Caçadores de Demônios. Para eles, ele foi percebido estritamente como o subordinado mais poderoso de Muzan, um obstáculo final, mas nada mais que um monstro a ser eliminado. A profundidade da sua vida anterior, sua ambição original ou o sacrifício implícito de sua humanidade passaram despercebidos no momento de sua morte.
O caso de Muichiro Tokito, o Hashira da Névoa, ressalta ainda mais essa desconexão. Para Muichiro, o combate foi travado contra um inimigo que parecia ser, em essência, um lunático, desprovido de qualquer vestígio de racionalidade humana anterior. Não houve um vislumbre da história compartilhada entre os irmãos espadachins que precedeu a era dos Caçadores de Demônios.
Essa percepção final, onde um espadachim de tamanha importância histórica morre sendo visto apenas como um servo demoníaco - e rapidamente esquecido em função da vitória imediata - destaca uma das ironias mais cruéis da sua existência. Mesmo com a revelação completa de seu passado em mangás e fontes complementares (como o lore de Kimetsu no Yaiba), a experiência imediata dos personagens em campo de batalha não permitiu tal reconhecimento.
Apesar de sua força incomparável e seu papel fundamental na fundação da linhagem demoníaca, Kokushibo se desvaneceu da consciência de seus oponentes como qualquer outro demônio comum. Sua nobreza e seu sofrimento, marcas indeléveis de quem ele foi, permaneceram confinados à sua própria história, sem que houvesse um eco de compreensão no mundo dos vivos após sua queda.