A geografia e os nomes dos continentes no mundo de berserk: Um mistério cartográfico
Análise explora a falta de um nome oficial para a massa de terra que contém Midland no universo de Berserk.
O vasto e sombrio mundo criado por Kentaro Miura em Berserk é rico em detalhes históricos, culturais e sociais. No entanto, um aspecto geográfico fundamental permanece notoriamente vago: o nome da superestrutura terrestre que abriga o Reino de Midland e as nações vizinhas. Enquanto os fãs navegam pelas intrigas da Guerra dos Cem Anos e pelos horrores do Eclipse, a ausência de um nome continental, análogo a 'Europa', gera especulação constante sobre a cartografia in-world.
Até o momento na narrativa, grande parte das referências geográficas se concentra em áreas específicas ou reinos adjacentes a Midland. Temos conhecimento de reinos como Doldrey, Wagner e outros ducados, mas todos parecem situados dentro de uma única, mas ainda assim indefinida, grande massa de terra. É comum que obras de fantasia estabeleçam nomes grandiosos para seus mundos ou continentes, como a Terra Média ou Westeros, mas em Berserk, a designação do macro-ambiente geográfico é curiosamente omitida.
A conveniência de Midland
A predominância de Midland como cenário principal naturalmente fez com que sua identidade se fundisse, na mente do leitor, com a ideia do mundo em si. Midland, como ponto central da jornada de Guts e da história dos Hawks, é o eixo narrativo. Contudo, quando a trama se expande, como na recente incursão marítima ou nas menções a terras distantes, a necessidade de um termo abrangente se torna evidente para facilitar a compreensão da escala global da história.
Algumas interpretações superficiais sugerem que a área principal poderia ser simplesmente referenciada como "a Europa" do universo de Berserk, dada a forte inspiração medieval europeia que permeia a estética, política e nomes locais. Esta é uma simplificação útil para discussões, mas não reflete uma nomenclatura oficial estabelecida pelo criador.
O estilo de Miura e a abstração geográfica
Podemos considerar que a ausência de um nome continental é uma escolha intencional de Miura. O foco da obra sempre esteve visceralmente preso aos personagens, suas lutas emocionais e as dinâmicas de poder imediatas. Uma geografia continental excessivamente detalhada poderia desviar a atenção do horror pessoal e da mitologia complexa que o mangá explora com maestria. A imersão é construída através de detalhes menores, como a arquitetura gótica ou as táticas militares, e não pela denominação de grandes placas tectônicas.
Por outro lado, mesmo em mundos criados, a coerência interna é valorizada. A revelação de nomes de reinos menores, mesmo que sejam apenas referências regionais, cria uma expectativa de que o próximo passo lógico seria a nomeação da terra-mãe. Para os entusiastas que buscam mapear cada detalhe do universo de Miura, a ausência deste nome permanece como um dos poucos mistérios cartográficos persistentes do mangá, um espaço em branco no mapa que aguarda, talvez, uma futura revelação ou que permanecerá indefinido como um elemento do seu mistério intrínseco.